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Atribuições do Enfermeiro como Pilar da Saúde Coletiva



A Saúde Coletiva é um campo estruturado e estruturante de práticas e conhecimentos teóricos, práticos e políticos que critica o universalismo naturalista do saber médico e o monopólio do discurso biológico. Tendo como marco teórico o materialismo histórico e dialético, compreende a saúde como fenômeno social e considera a existência de inúmeros determinantes que interferem na mesma, tornando dinâmico o processo saúde-doença (REGIS; BATISTA, 2015).

Dentro do processo de constituição da Saúde Coletiva no Brasil como um campo estruturado e estruturante de práticas e conhecimentos teórico-políticos se deu a partir do final dos anos de 1970 e início da década de 1980, sob influência do cenário socioeconômico e político-ideológico do país e da América Latina. Ademais, o contexto de sucessivas crises no plano epistemológico, nas práticas de saúde pública e na formação de trabalhadores da saúde, tornava urgente a superação do biologicismo e funcionalismo hegemônicos e uma maior abertura à interdisciplinaridade para lidar com a complexidade dos sujeitos em seus processos de adoecimento (SOUZA; et al., 2017).


O trabalho em saúde coletiva, em especial na Estratégia Saúde da Família (ESF), redefiniu a identidade e a valorização do profissional enfermeiro, cuja prática vinha sendo relacionada apenas ao trabalho médico e a ações estritamente técnicas. Entre as inúmeras atribuições exercidas com autonomia pelo enfermeiro na ESF estão planejar e executar ações no âmbito da saúde coletiva, supervisionar a assistência direta à população, realizar ações de promoção, prevenção, cura e reabilitação, mediar ações intersetoriais, gerenciar os serviços de saúde, desenvolver educação em saúde e educação permanente (REGIS; BATISTA, 2015).

Em todas as linhas de cuidado, é notável que a gestão dos recursos financeiros e a gestão dos recursos humanos refletem a qualidade dos serviços prestados, bem como o nível de satisfação dos usuários. Os profissionais do SUS devem compreender as reais necessidades da população, executar ações de planejamento, organização e avaliação da assistência prestada, para que seja oferecido um serviço bem qualificado a todos os usuários (MAFFISSONI; et al., 2017).

Nos serviços de saúde, o enfermeiro é reconhecido como um profissional capaz de, mediante conhecimentos, habilidades e atitudes, promover um cuidado integral e humanizado e interagir com a família e sua comunidade, promovendo o diálogo, a educação em saúde e a troca de saberes. Assim, o cuidado de Enfermagem tanto o técnico, clínico como o relacional, ganham em amplitude ao avançar da dimensão individual para a dimensão coletiva. Ademais, o enfermeiro é identificado como o principal agente catalisador das políticas públicas relacionadas à Saúde Coletiva, em especial aquelas relacionadas à Estratégia de Saúde da Família e como um profissional-chave para o acompanhamento dos usuários no SUS.


A importância das ações de enfermagem em saúde coletiva envolvem práticas sociais, construídas em diferentes processos de trabalho e estão estreitamente articuladas à estrutura da sociedade e à dinâmica das forças de seus grupos sociais e colaborar com o entendimento desse processo justificou o presente trabalho.

 
ATRIBUIÇÕES DO ENFERMEIRO COMO PILAR DA SAÚDE

A atuação do enfermeiro como um ser sociopolítico implica a capacidade de articular os diferentes saberes e atribuições, aspecto que contribui para o fortalecimento da profissão e da própria classe. A ação política configura-se, portanto, na capacidade de emitir juízo próprio que responda às necessidades do cenário social, o que representa perspectiva de valor, atuação e posicionamento profissional.

É necessário construir instrumentos e estudos que sensibilizem os enfermeiros para a importância da aquisição de empoderamento político, uma vez que são atores sociais que promovem melhorias na saúde, nos diferentes contextos em que atuam. Para isso, necessitam desenvolver capacidade intelectual para o trabalho em saúde, atuar interprofissionalmente, exercer poder e capacidade crítica para intervenções no meio social e espaços de trabalho, por meio da tríade habilidades, atitudes e conhecimentos.

Um projeto de saúde de caráter universal e democrático como o SUS convoca seus profissionais para uma participação que vai além do desenvolvimento de ações e procedimentos de caráter técnico-científico, já que coloca em questão qual projeto de sociedade e desenvolvimento se quer construir. Nesse sentido, a atuação da Enfermagem no campo da Saúde Coletiva confere peso à dimensão de prática social da profissão, reforçando o papel político do enfermeiro diante das iniquidades sociais, econômicas e culturais tornando-o um dos pilares edificantes da saúde.

A saúde coletiva compreende a saúde pública, a epidemiologia e a medicina preventiva e social, além de guardar relações de interconexão com outras subáreas. Nesse sentido, pode ser vista como o campo mais abrangente, com subcampos que reúne, entre eles a saúde pública, com um sentido mais forte, tanto temático quanto histórico. A crescente importância da saúde coletiva para o trabalho da enfermagem é corroborado pelos coordenadores e professores ao considerarem-na área constituinte de atuação profissional do enfermeiro. Nela, a enfermagem encontra um amplo espectro de atuação que lhe permite maior liberdade no uso dos espaços para transformação das realidades locais. O enfermeiro tem condições de propor ações, estabelecer a maneira como será constituído seu trabalho e manter considerável autonomia em suas práticas.

CONCLUSÃO

São necessárias múltiplas competências para a atuação de enfermeiros na área da saúde coletiva. Dentre elas, coordenadores e professores acreditam que atuar no SUS é uma competência que envolve outras, como trabalhar numa perspectiva interdisciplinar, intersetorial e multiprofissional, desenvolver atividades gerenciais e contribuir com a consolidação da ESF.

É de competência do enfermeiro ainda promover atividades educativas e ações que garantam a integralidade do ser humano na atenção à saúde. Evidencia-se a importante contribuição da saúde coletiva para o empoderamento de enfermeiros dentro do atual contexto brasileiro e mundial.

A saúde coletiva configura-se como uma nova perspectiva de saberes e práticas: as possibilidades teóricas são ampliadas para além da enfermagem centrada em procedimentos e no corpo biológico; a autonomia e o trabalho em equipe ressignificam a prática dos enfermeiros e atributos como comprometimento social e visão crítica e reflexiva são identificados não só como características do ser humano-cidadão, mas também do ser humano-profissional enfermeiro.

Neste contexto é possível afirma que a Enfermagem em Saúde Coletiva contribui para a consolidação do SUS através da promoção da saúde em sua prática cotidiana. Observa-se que dentro da equipe multidisciplinar ele é o profissional da saúde capaz efetivar os princípios e diretrizes da universalidade, integralidade, equidade, participação social; além de ofertar diferentes campos profissionais e em diferentes níveis de atuação.


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Veridyana Márcia Silva Valverde
Enfermeira graduada pela Universidade Anhanguera de Taboão da Serra-SP,cursando  Especialização em  Urgência e Emergência em Enfermagem & Docência em Enfermagem, pela Faculdade Venda Nova Bandeirante (FAVENI), voluntária no Programa da Escola da Família Veija Júnior aos finais de semana na cidade de Iguape-SP, palestrante sobre diversos temas que envolve a saúde.| Linkedin











REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, 1988.

CARVALHO, G. A saúde pública no Brasil. Estud. av.,  São Paulo;  27(78): 7-26, 2013.

LAKATOS, E.M. Fundamentos de metodologia científica. – 8ª. ed. - São Paulo : Atlas 2010.

MAFFISSONI, A.L.; et al. VER-SUS Oeste Catarinense: vislumbrando um itinerário formativo em enfermagem direcionado ao Sistema Único de Saúde. Rev enferm UFPE on line., Recife; 11(2):758-64, 2017.

REGIS, C.G.; BATISTA, N.A. O enfermeiro na área da saúde coletiva: concepções e competências. Rev Bras Enferm. São Paulo; 68(5):830-836, 2015.

SOUZA, K.M.J.; et al. Contribuições da Saúde Coletiva para o trabalho de enfermeiros. Rev Bras Enferm. São Paulo;70(3):569-576, 2017.