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Incontinência urinária


A incontinência urinária é a perda involuntária da urina pela uretra. Distúrbio mais frequente no sexo feminino, pode manifestar-se tanto na quinta ou sexta década de vida quanto em mulheres mais jovens. Mulheres são mais predispostas do que homens. Entre os idosos que vivem em casas de repouso pelo menos 50% apresentam incontinência urinária.

Normalmente existe uma perfeita coordenação entre a bexiga e o esfíncter (músculo que funciona como uma válvula que fecha a uretra, impedindo a saída da urina). A maioria das pessoas possui completo controle sobre esse processo, permitindo o enchimento da bexiga entre 400 ml e 500 ml, sem que ocorram perdas urinárias. Na fase de enchimento, a bexiga está relaxada e o esfíncter contraído. Na fase de esvaziamento da bexiga, é necessária uma perfeita coordenação entre a contração do músculo da bexiga e o relaxamento do esfíncter. Esta coordenação é chamada de sinergismo vesicoesfincteriano.


Estima-se que mais de 8 milhões de brasileiros tenham incontinência urinária. Este problema pode acometer homens e mulheres de todas as idades, raças e níveis socioeconômicos. Entre as pessoas com idade superior a 60 anos, acredita-se que de 30 a 60% tenham incontinência

Atribui-se essa prevalência ao fato de a mulher apresentar, além da uretra, duas falhas naturais no assoalho pélvico: o hiato vaginal e o hiato retal. Isso faz com que as estruturas musculares que dão sustentação aos órgãos pélvicos e produzem a contração da uretra para evitar a perda urinária e o músculo que forma um pequeno anel em volta uretra sejam mais frágeis nas mulheres.

CAUSAS:

A eliminação da urina é controlada pelo sistema nervoso autônomo, mas pode ser comprometida nas seguintes situações:
  • Comprometimento da musculatura dos esfíncteres ou do assoalho pélvico;
  • Gravidez e parto;
  • Tumores malignos e benignos;
  • Doenças que comprimem a bexiga;
  • Obesidade;
  • Tosse crônica dos fumantes;
  • Quadros pulmonares obstrutivos que geram pressão abdominal;
  • Bexigas hiperativas que contraem independentemente da vontade do portador;
  • Procedimentos cirúrgicos ou irradiação que lesem os nervos do esfíncter masculino.
SINTOMAS:

Incontinência urinária de esforço: O sintoma inicial é a perda de urina quando a pessoa tosse, ri, faz exercício, movimenta-se;

Incontinência urinaria de urgência: Mais grave do que a de esforço, caracteriza-se pela vontade súbita de urinar que ocorre em meio as atividades diárias e a pessoa perde urina antes de chegar ao banheiro;

Incontinência mista: Associa os dois tipos de incontinência acima citados e o sintoma mais importante é a impossibilidade de controlar a perda de urina pela uretra.



DIAGNÓSTICO:

A anamnese do paciente é um dado importantes para o diagnóstico e elaboração de um diário miccional onde eles devem registrar as características e frequência da perda urinária.

Outro recurso para firmar o diagnóstico é o exame urodinâmico, que é pouco invasivo e registra a ocorrência de contrações vesicais e a perda urinaria sob esforço.

Exames para diagnóstico:

Exame de urina: Amostra de urina que será examinada para pesquisar a presença de infecção, sangue e outras anormalidades.

Medida do resíduo miccional: Este exame é realizado para saber se alguma quantidade de urina sobra na bexiga após a pessoa terminar de urinar. Isto pode ser feito através da inserção de um tubo flexível de plástico fino (chamado sonda) pela uretra até a bexiga para esvaziá-la completamente

Ultrassom: Pode avaliar o tamanho, a forma e outras características dos rins, da próstata e da bexiga.

Cistoscopia: Consiste na inserção de um aparelho ótico fino através da uretra até a bexiga (ilustração). Permite ao urologista avaliar as características internas da uretra e da bexiga.

Teste de esforço: Com a bexiga parcialmente cheia, você é solicitada a tossir, ficar em pé, fazer força na barriga ou outras atividades para determinar se as mesmas causam perda de urina e com que intensidade.

Exame urodinâmico: Avalia as funções da bexiga e do esfíncter. Usando diferentes modalidades de investigação, o examinador estuda a sensibilidade de sua bexiga, a sua capacidade de armazenar urina e a eficiência com que ela se esvazia. Pode-se determinar ainda se a bexiga está obstruída e se o esfíncter está enfraquecido.

Se o seu médico solicitar algum destes ou outros exames ele poderá lhe descrever com detalhes como eles são feitos e quais os seus objetivos.

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