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Gestão de Pacotes Cirúrgicos: A "Bomba" fica para o prestador administrar?


Geralmente vemos a modalidade de remuneração por Pacotes Cirúrgicos serem implantados de fora para dentro. Isso quer dizer que os prestadores vendem os pacotes para as operadoras sem sequer saber como gerenciar esse sistema.

A remuneração por pacotes é muito bem vista, por mais que já está sendo considerado um modelo ultrapassado por especialistas, mas ainda vemos grandes centros de saúde implementando esse sistema e grandes operadoras de saúde impondo seus valores.

A definição de pacote cirúrgico já está bem claro - nada mais é do que um preço fechado para um tratamento cirúrgico "completo" em um período de tempo pré-determinado.

O que eu gostaria de destacar é o risco financeiro que os prestadores correm, caso o gerenciamento de rentabilidade e gastos não estejam bem definidos e implementados na Instituição.
Vamos ser práticos: O hospital deverá tratar o paciente o mais rápido possível com recursos baratos e eficientes. Parece clichê!
Muito fatores internos influenciam no resultado financeiro final. O que adianta vender um pacote com um preço excelente se o hospital está gastando o dobro?



PONTOS CRÍTICOS PARA O GERENCIAMENTO DE PACOTES

Custos: É imprescindível que os custos gerais internos sejam administrados e diminuídos. Isso impacta diretamente no lucro da empresa.

Custo dos colaboradores, da sala cirúrgica, do oxigênio, da esterilização de materiais, etc. Esses custos devem estar CORRETOS no sistema da instituição para que os setores de inteligência gerem relatórios fidedignos, devem ser constantemente controlados e a redução desses custos devem ser permanentes.

Negociação com fornecedores: A equipe de negociação deve ser especializada para tal atividade. Como o preço do pacote é fechado, quanto menor for o gasto com materiais e serviços, melhor será o resultado financeiro.

Quando o assunto for OPME, se não houver diálogo e parceria entre os players dificilmente ocorrerá a diminuição dos custos.
Um depende do outro. É como se fosse um casamento: se não houver diálogo provavelmente você irá atrás de outro (a)!
A negociação tem que ser viável para todas as partes senão torna-se uma "guerra de lucros" e o paciente fica esquecido como vemos acontecer em alguns casos.


Enfermagem, equipe cirúrgica e instrumentadores: O treinamento interno deverá ser institucional e constante. Ocorre muito desperdício em sala cirúrgica por falta de treinamentos.
Quem trabalha em centro cirúrgico sabe daquele oxigênio aberto sem necessidade, dos fios cirúrgicos abertos na mesa cirúrgica que vão para o lixo, compressas cirúrgicas, cargas de grampeadores e clipadores, aventais e campos descartáveis, etc. Todos os gastos desnecessários fica na conta do hospital.
Evidências científicas: As Instituições de saúde devem sempre se basear em evidências. A elaboração de protocolos e diretrizes devem ser implantados para o controle e padronização de tratamentos e consequentemente trabalhar com previsão de gastos. Todos os colaboradores que lidam com cirurgias devem receber treinamento e devem estar comprometidos em seguir as diretrizes institucionais.

Novamente a famosa frase dos contratos de pacotes: "Todos os OPME's estão inclusos no pacote, independentemente do OPME utilizado" - Se o hospital não controlar, sobra a "Bomba"!

Todas as instituições devem ter uma equipe técnica especializada em elaborar protocolos institucionais e precificações.

Treinamento sobre valores, custos e preços: Muitas vezes os colaboradores assistenciais como os enfermeiros, técnicos de enfermagem, instrumentadores e principalmente os cirurgiões não tem ideia de quanto custa para o hospital a utilização de um material específico. Acredito ser de grande valia esse treinamento para entenderem a parte financeira da instituição. A partir disso, existirá o conhecimento sobre utilizar aquele hemostático, aquela broca, aquele fio, aquele avental descartável (já vi em uma conta 15 aventais descartáveis, categoria particular e cada avental custar R$300)...

Renegociação de valores e incorporação de novas tecnologias: As tabelas e contratos devem ser atualizados constantemente. As novas tecnologias estão cada vez mais presentes no meio cirúrgico. Os valores dessas soluções tecnológicas devem ser repassados para as operadoras de saúde que são bem resistentes para renegociações.

Obviamente alguns materiais são "perfumaria", mas existem muitos materiais de ponta com uma tecnologia incrível que deveriam ser considerados e disponibilizado para os pacientes.

Existem outros fatores que podem influenciar no resultado financeiro final, listei apenas alguns. Vamos pensar juntos para aprendermos cada vez mais sobre a administração dos pacotes. Fique a vontade para comentar!



Contribuiu com este Artigo:


Alexandre Almidoro
** Enfermeiro Auditor Especialista em OPME na BP de São Paulo;
** Responsável pela auditoria pré cirúrgica das Unidades BP e BP Mirante; 
** MBA em Auditoria em Saúde pela UNINTER
** Pós graduação em Cardiologia pela UNIFESP
** Pós graduação em Docência pela FNC - Estácio