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Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE


SAE












A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é uma metodologia de trabalho que permite ao Enfermeiro e sua equipe uma abordagem de individualização e humanização do cuidado prestado ao cliente, que estabelece um julgamento e raciocínio crítico sobre o processo saúde-doença.

É uma atividade privativa do enfermeiro que norteia as atividades de toda a equipe de Enfermagem, já que técnicos e auxiliares desempenham suas funções a partir da prescrição do enfermeiro. 


A SAE é a organização e execução do processo de Enfermagem, com visão holística e é composta por etapas inter-relacionadas, segundo a Lei 7.498 de 25/06/86 (Lei do Exercício Profissional). 

É a essência da prática da Enfermagem, instrumento e metodologia da profissão, e como tal ajuda o enfermeiro a tomar decisões, prever e avaliar conseqüências. Vislumbra o aperfeiçoamento da capacidade de solucionar problemas, tomar decisões e maximizar oportunidades e recursos formando hábitos de pensamento. Esse conjunto de conhecimentos proporciona justificativas para tomadas de decisão, julgamentos, relacionamentos interpessoais e ações.

A SAE ou Processo de Enfermagem é constituído de 5 etapas: Histórico de Enfermagem, Diagnóstico de Enfermagem , Planejamento de Enfermagem, Implementação de Enfermagem e Avaliação de Enfermagem ou Evolução de Enfermagem.

1ª etapa - Histórico De Enfermagem

Começou em 1965 no Programa de fundamentos de Enfermagem da escola de Enfermagem da USP, com o título de ANAMNESE de Enfermagem, pois havia o problema com a anamnese médica. Em 1967 em reunião do corpo docente da cadeira de Fundamentos da Enfermagem, como, o que era feito, era a história da enfermagem do paciente, surgiu o nome “Histórico de Enfermagem”.

Constituído por entrevista e exame físico. A entrevista investiga a situação de saúde do cliente ou comunidade, identificando os problemas e necessidades passíveis de serem abordados nas intervenções de Enfermagem. O exame físico consiste nos 4 métodos propedêuticos: INSPEÇÃO, PALPAÇÃO, PERCUSSÃO e AUSCULTA, a chave para a realização de um exame físico eficiente é um sólido conhecimento teórico e habilidades técnicas apropriadas.

As diretrizes para elaboração do Histórico de Enfermagem são:

Usar prontuário para dados de identificação, motivo, condições de chegada e atendimento, entre outros, a fim de não se repetir a investigação;

É privativo do enfermeiro, devendo ser realizado na admissão ou nas 24 ou 48 horas seguintes;

É centrado nas alterações e condições de risco;

É assinado e leva o número do COREN;

Deve vir com a guia instrucional e faz parte do prontuário;

É feito com a autorização do cliente

Partes de um histórico

a) Identificação:

- nome por extenso;

- enfermaria, leito;

- registro;

- sexo e idade;

- estado civil;

- filhos e respectivas idades;

- procedência;

- nacionalidade;

- ocupação com detalhes;

- grau de instrução;

- religião (praticante ou não);

- data de admissão;

- que via foi admitido (ambulatório ou PS)

b) Hábitos:

- Meio ambiente: condições de moradia, água, esgoto, lixo, luz;

- Cuidado corporal: banhados, unhas, cabelo, raspagem de pelos (tricotomia);

- Eliminações: hábitos intestinais e urinários, tabus, menstruação;

- Alimentação;

- Sono e repouso;

- Exercícios e habilidades físicas;

- Recreação;

- Manutenção da saúde exame médico periódico.

c) Exame Físico:

- Condições gerais: vestuários, condições mental, expressão facial, locomoção, peso altura, fumo, etilismo;

- Sinais vitais: freqüência e características (Pulso, respiração, pressão arterial e temperatura);

- Queixa do paciente;

- problemas identificados.

d) Problemas de saúde:

- o que o paciente acha da sua doença;

- que doenças já teve e suas experiências com hospitais;

- métodos ou preocupações: do hospital, da cirurgia, etc;

- fase da doença: grave, crônica, etc;

- resultados dos exames.

2ª etapa – Diagnóstico de Enfermagem

Nessa fase o enfermeiro analisa os dados coletados e avalia o estado de saúde do cliente através da identificação e avaliação de problemas de saúde reais ou potenciais que são passíveis da resolução por meio das atividade de Enfermagem.

Conceito: é a identificação das necessidades básicas do ser humano que precisa de atendimento e a determinação pelo enfermeiro do grau de dependência deste atendimento em natureza e extensão.

O grau de dependência pode ser total ou parcial.

Total: tudo que a enfermagem faz pelo cliente quando este não tem condições de fazer por si, seja qual for a causa.

Parcial: a assistência de enfermagem pode situar-se em termos de ajuda, orientação, supervisão e encaminhamento.

O julgamento clinico é o processo cognitivo caracterizado por diversas decisões para definir o melhor diagnóstico, a melhor intervenção e os efeitos desta intervenção, estabelecendo o diagnóstico e o seu raciocínio. O enfermeiro necessita desenvolver habilidades e competências cognitivas, técnicas, afetivas e sociais para ser capaz de desenvolver o raciocínio clinico.

O diagnóstico de Enfermagem é ação privativa do enfermeiro, deve ser enumerado, e o enfermeiro deve assinar o instrumento utilizado para anotação dos diagnósticos de Enfermagem e colocar número do COREN sob o qual está inscrito.

3ª etapa – Planejamento de Enfermagem

São as intervenções de Enfermagem. É a determinação global da assistência de Enfermagem que o cliente deve receber diante do Diagnóstico de enfermagem estabelecido, é o resultado da análise do Diagnóstico, examinando as alterações, necessidades afetadas e o grau de dependência. Observação:

F (fazer)

A (ajudar)

O (orientar)

S (supervisionar)

E (encaminhar)

As intervenções planejadas devem ser destinadas a alcançar os resultados esperados e a prevenir, resolver ou controlar as alterações encontradas durante o Diagnóstico.

4ª etapa - Implementação de Enfermagem

É a concretização do plano de atendimento ou assistencial pelo roteiro aprazado que coordena a ação da equipe de enfermagem na execução dos cuidados adequados ao atendimento das necessidades básicas específicas do ser humano. O momento da realização pode ser: admissional, complementar diária e de alta. Seu efeito pode ser de conduta ou de ação. A conduta modifica o estado do cliente (repouso, curativo, orientação, termoterapia, higiene, etc.) A ação da subsidio para avaliar o cliente (SSVV, administração de medicamentos, diurese, características de sintomas, etc.). Quanto a autonomia, pode ser independente, quando a decisão é o enfermeiro (higiene, repouso, curativo, orientação, controle de SSVV, etc.); dependente, quando é vinculada a decisão de outros profissionais (medicamentos, exames, cirurgia, etc).

As diretrizes são:

Dirigidas pelos Diagnósticos e outros problemas de Enfermagem (prescrição médica, exames, cirurgia,etc);

Verbo no infinitivo e de ação (Fazer, encaminhar, aplicar, banhar, orientar, ministrar, esclarecer, controlar, avaliar,explicar, informar, lubrificar, acompanhar, etc...);

Responde: O que? Como? Quando? Que parte do corpo?;

Seguir padrões mínimos de enfermagem e/ou específicos;

Atividade genérica (sem marcas de produtos);

Atividade com idéia única;

Numerada de acordo com o diagnóstico correspondente;

Atividade privativa do enfermeiro;

Letra legível sem rasuras;

Validade do horário de acordo com o período;

Divisão dos trabalhos por período;

Checagem com rubrica;

Data, nome e COREN. Utilizar carimbo.

5ª etapa – Avaliação – Evolução de Enfermagem 

É o relato aprazado das mudanças sucessivas que ocorrem com cliente enquanto está sob a assistência profissional. Anotar inicialmente a avaliação do global do plano de cuidado. Determina se os resultados foram atingidos, se as intervenções foram efetivas e se são necessárias modificações. Pode ser conceituada ainda como a análise das respostas do cliente frente aos cuidados de enfermagem prescritos em função dos resultados obtidos no prazo determinado. São usados indicadores- qualificadores de avaliação:

Ausente – Presente

Melhorado – Piorado

Mantido – Resolvido

Os tipos são: diária, complementar e de alta

As diretrizes são:

Condição básica para evolução, e entrevista do dia, evolução, prescrição e anotação de Enfermagem, resultados de exames, prescrição médica;

Os Diagnósticos de Enfermagem são avaliados em função de indicadores com justificativas baseadas na orientação anterior;

Deve ser precedida de horário;

É atividade privativa do enfermeiro;

Deve conter nome e COREN no carimbo.

Prognóstico de Enfermagem

O prognóstico indicará as condições que o cliente atingiu na alta médica. Ele chegou a total independência ou esta dependente.

Anotações de Enfermagem

É o registro das respostas do cliente frente aos padrões mínimos de enfermagem e aos cuidados individualizados logo após sua execução e/ou registro das intercorrências.

Diretrizes para as anotações de Enfermagem:

Os padrões mínimos de Enfermagem, os cuidados específicos e as intercorrências são básicos para a elaboração das anotações;

As anotações são subsídios para todas as etapas da SAE;

Deve responder as prescrições de Enfermagem;

É competência de enfermeiros, técnicos e auxiliares que executam cuidados;

Deve conter horário antes do registro;

Deve ser clara e concisa;

Deve ter nome, função e número do COREN.

Dica para controle do processo:

Cuidado prescrito

Cuidado realizado

Cuidado checado

Cuidado anotado

Cuidado assinado

Fonte: Artigo disponibilizado no Ebah



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