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Insuficiência Venosa Periférica



A Insuficiência Venosa Crônica (IVC) é uma das mais frequentes doenças que acometem a população, resultante de uma alteração estrutural do sistema venoso dos membros inferiores, onde as veias perdem a função de transportar o sangue venoso para o coração, acumulando assim, sangue não oxigenado nos membros inferiores, o que pode levar ao aparecimento das tão conhecidas varizes.

Causas
Ainda não se pode afirmar a causa exata do aparecimento das varizes, porém, comprovadamente há muitos fatores de risco que podem ser citados para o risco de desenvolvimento e agravamento da doença, entre os mais comuns podemos citar:

Histórico familiar: um histórico de parentes próximos como avós, pais e irmãos com varizes, indica um risco maior de apresentar o problema.

Sobrepeso: sobrecarrega o sistema venoso, particularmente das pernas, facilitando o aparecimento da dilatação venosa.

Sedentarismo: A falta de exercícios piora essa circulação e aumenta a chance de problemas venosos.

Múltiplas gestações: cada gestação leva a alterações hormonais e do retorno do sangue das pernas, seja pelo aumento de peso inerente a gestação, seja pelo aumento uterino, levando a maior ocorrência de varizes.

Uso de anticoncepcionais: Em mulheres mais suscetíveis, os hormônios presentes nos anticoncepcionais, tem como efeito colateral um certo enfraquecimento da parede venosa permitindo assim sua dilatação.

Longos períodos de pé: Longas jornadas de pé estão relacionadas com uma incidência maior de varizes.

Gênero: mulheres tem uma chance maior de desenvolver varizes, mesmo porque apresentam maior exposição aos outros fatores de risco.

Idade: apesar de eventualmente identificarmos alterações venosas muito precoces em determinados pacientes que já tenham uma predisposição genética, à medida que outros fatores de risco venham a se somar, particularmente com o passar dos anos, é nas idades mais avançadas que presenciamos a maior incidência de IVC.

Trombose venosa: a trombose de grandes veias nos membros inferiores dificulta o retorno de sangue de forma temporária ou permanente. Além disso, tais veias podem sofrer um processo de degeneração das válvulas contidas em seu interior. A alteração destas válvulas sobrecarrega as veias mais abaixo, o que aumenta a chance de desenvolver varizes no curto prazo e IVC no longo prazo.

Compressão venosa: a compressão externa, por outras estruturas, sobre algum ponto do sistema venoso causa uma sobrecarga nas veias abaixo deste local, aumentando a chance de varizes e IVC.

Sibutramina e remédios para emagrecer: entenda



A sibutramina está disponível no mercado brasileiro para tratamento da obesidade

Os anorexígenos são utilizados como coadjuvantes no tratamento de quadros de obesidade e, como qualquer medicamento, seu uso, com a indicação de reduzir o apetite, deve ser orientado por um médico. No caso dos inibidores de apetite, isso é ainda mais importante já que interferem em sistemas importantes do corpo humano.

A obesidade é uma doença provocada por vários fatores como hábitos de vida, genética, condições econômicas, contexto cultural, entre outros. Por isso, a orientação dos profissionais é ainda mais importante para que o uso de medicamentos não se torne apenas um paliativo e gere o efeito “sanfona”, que é quando o paciente engorda e emagrece muito ao longo da vida.

O que é Hemofilia?



Hemofilia abrange diversas doenças hereditárias, genéticas ou de distúrbios raros autoimunes que possuem em comum a incapacidade de controlar os sangramentos decorrentes nos defeitos de coagulação do sangue.

Há dois tipos de sangramento, o externo que ocorre se a pele for danificada por um corte, abrasão ou ferimento, e o interno nos tecidos musculares ou cavidades dos órgãos. As hemorragias internas são as mais graves pois são difíceis de serem diagnosticadas e controladas.

As 14 principais Doenças que levam à morte no Brasil



Segundo o Ministério da Saúde, as doenças que mais matam no Brasil são as cardiovasculares. O câncer também aparece muito entre as doenças responsáveis por mais mortes no país, mas nos últimos anos nenhuma teve índice de crescimento tão grande quanto as doenças hipertensivas.



Abaixo listamos 14 doenças que mais matam os Brasileiros atualmente:

1 - Doenças cerebrovasculares: As doenças cerebrovasculares afetam os vasos cerebrais, como por exemplo o AVC, também conhecido como "Derrame" que é causado por uma interrupção de fluxo sanguíneo ou um sangramento local no cérebro.

Características Fisiológicas do Recém-Nascido



Vamos abordar as principais características fisiológicas do recém-nascido, que incluem o Sistema Respiratório, Sistema Cardiovascular, Sistema Hepático, Sistema Renal, Sistema Digestório, Sistema Imunológico, Sistema Neurológico e Metabólico.

Sistema Respiratório:
Entre as 24 e 30 semanas de gestação, os pneumócitos do tipo II começam a secretar surfactante que é um fosfolipídio, que diminui a tensão superficial e evita o colapso alveolar ao final da expiração. Essa redução facilita as trocas gasosas e diminui o trabalho respiratório.

Com as primeiras respirações desencadeia-se uma série de eventos simultâneos: a conversão da circulação fetal para o tipo adulto, esvaziamento do líquido pulmonar, estabelecimento do volume pulmonar e das características da circulação pulmonar. Os movimentos respiratórios passam de um padrão intermitente (fetal) para um processo contínuo. A frequência respiratória nos dez primeiros minutos de vida varia de 25 a 105 movimentos respiratórios por minuto. A média é de 60 movimentos respiratórios por minuto nas primeiras 6 horas de vida, caindo gradativamente para 40 movimentos respiratórios por minuto depois do primeiro dia de vida.

Sistema cardiovascular:
Quando ocorre o clampeamento do cordão umbilical, dá se a conversão da circulação fetal para neonatal, e a partir daí o neonato tem sua primeira respiração. O volume sanguíneo do RN a termo varia de 80 a 90 ml/Kg de peso corporal, em contraste com o volume do RN prematuro, que varia de 90 a 105ml/Kg.

O clampeamento tardio do cordão umbilical causa o aumento da frequência respiratória devido aumento do volume de sangue, causando sobrecarga cardíaca e elevação da pressão arterial, o que pode desencadear crepitações e cianose.

A frequência cardíaca cai de 160 bpm, verificada aos 5 –10 minutos de vida, para 130 bpm aos 60 minutos de vida.



Sistema Hepático
No neonato, o sistema hepático é imaturo, a bilirrubina é pigmento biliar amarelo e subproduto da degradação das hemácias. Com o envelhecimento, as hemácias tornam-se frágeis e eventualmente são eliminadas da circulação pelo sistema fagocitário mononuclear que removem as frações de ferro e proteínas e as preservam para uso posterior.

 Após deixar o sistema fagocitário mononuclear, a bilirrubina se liga à albumina plasmática e é chamada de bilirrubina indireta (não conjugada). Porém, ela precisa ser conjugada (convertida em bilirrubina direta) para ser excretada. Esta conjugação ocorre no fígado em conjunto com o ácido glicurônico, e com a assistência da enzima glicuronil transferase o resultado é a bilirrubina hidrossolúvel.  O urobilinogênio e o estercobilinogênio são compostos bilirrubínicos que resultam da degradação e podem ser excretados na urina e nas fezes.

O acúmulo da bilirrubina não-conjugada (indireta) maior do que a o fígado pode eliminar faz com que o recém-nascido desenvolva uma coloração amarela (icterícia). Alguns fatores podem aumentar o risco de hiperbilirrubinemia no recém-nascido como: asfixia e estresse por frio e hipoglicemia.

Sistema Renal
O Rim tem uma importante função na transição da vida fetal para a vida pós-natal (pós nascimento). O fluxo sanguíneo renal corresponde cerca de 6% do débito cardíaco e ao final do primeiro mês de nascimento corresponde a 15%. A urina começa a ser formada pelo feto a partir da décima semana de gestação e contribui para a formação do líquido amniótico. Após o nascimento, 97% dos recém nascidos eliminam sua primeira urina dentro das primeiras 24 horas.

Nos dias seguintes ao nascimento ocorre um aumento do débito urinário com perda de 5 a 10% do peso corpóreo, ocasionado pela perda de líquido, a função renal estabiliza-se em poucos dias, mas somente durante o primeiro ano de vida é que o rim da criança iguala-se ao do adulto.

Sistema Digestório
A coordenação entre sucção e deglutição ocorre em torno da 34ª - 35ª semanas de idade gestacional, de modo que o recém-nascido a termo consegue sugar e deglutir o leite materno adequadamente para suprir as necessidades nutricionais.

No primeiro dia após o nascimento, a capacidade gástrica é de 40 a 60 ml, assim as amamentações são mais frequentes e o tempo de esvaziamento gástrico leva em média 2 a 4 horas. Após a amamentação é importante segurar recém nascido com a cabeça elevada (colocar para “arrotar”), pois muitos recém-nascidos regurgitam pequenas quantidades (1 a 2 ml) de matéria ingerida por uma frouxidão do esfíncter esofagiano (anel muscular que contrai o esôfago), porém esse refluxo gastresofágico é transitório e resolve-se com a idade.

O intestino do recém-nascido é mais longo em comparação proporcional aos adultos, possui mais glândulas secretórias e maior superfície de absorção. A capacidade do recém-nascido de digerir nutrientes depende da atividade enzimática e da acidez gástrica, sendo que a digestão do leite começa no estômago e continua no intestino delgado.
O trato gastrintestinal estabelece uma colônia bacteriana normal dentro da primeira semana após o nascimento, permitindo uma síntese adequada da vitamina K.

Inicialmente o intestino do recém-nascido contém mecônio, uma substância fecal espessa, verde-escura e inodora que consiste em líquido amniótico, bile, células epiteliais e cabelo (da queda de lanugem no útero os pêlos finos e macios que recobrem os ombros e as costas do recém-nascido). Geralmente, o recém- nascido elimina o primeiro mecônio dentro de 24 horas após o nascimento.

Com a presença de alimentos no intestino (leite), o odor, cor e consistência das fezes se alteram para marrom-esverdeado e o teor de água é maior do que no mecônio. O tipo de alimentação determina as características das fezes subsequentes, o neonato alimentado com fórmulas lácteas as fezes são pastosas, amareladas e de odor forte já o neonato alimentado com leite materno as fezes são amarelo-vivo, mais liquefeitas e de odor adocicado.

Sistema Imunológico
Ao nascer, o recém-nascido é exposto a substâncias como bactérias e vírus que não estão presentes comumente no útero. Esta exposição ativa componentes da resposta imunológica, geralmente o primeiro ano é o período de maior vulnerabilidade às infecções graves. Às vezes as barreiras de proteção (pele e membranas mucosas) não impedem a invasão antigênica e o sistema imunológico inicia sua resposta humoral ou celular.

As imunoglobulinas específicas reagem com o antígeno ativando o sistema complemento e uma série de reações químicas que remove o antígeno do corpo. A imunidade humoral é mais importante contra reinfecções bacterianas e virais. Já a Imunoglobulina G (IgG) é a mais abundante, e é sintetizada em resposta as bactérias, vírus e fungos.  A IgG materna é transferida para o feto por meio da placenta, conferindo imunidade passiva adquirida (uma imunidade de curta duração na qual não há produção de anticorpos), já a IgG fetal apareça em torno da 12º semana de gestação e os níveis crescem significativamente no último trimestre.

Os recém-nascidos tem proteção ampla contra grande parte das doenças infantis desde que a mãe tenha anticorpos contra essas doenças, como a IgG não age contra bacilos Gram-negativos (Escherichia coli e Enterobacter), o neonato é mais suscetível a infecções por esses agentes. A IgG da mãe se esgota em torno de três meses, e a Imunoglobulina IgM é a primeira produzida pela estimulação antigênica. A IgM é o principal anticorpo na incompatibilidade do tipo sanguíneo e em infecções por bactérias Gram-negativas. A IgM materna não atravessa a placenta e em torno da 20º semana de gestação o feto produz IgM em resposta à exposição ao antígeno ela também provê uma imunidade ativa ou seja uma imunidade permanente resultante da estimulação antigênica por meio de inoculação ou da imunidade natural, níveis elevados de IgM no neonato podem indicar infecção perinatal.

O principal anticorpo do revestimento mucoso dos intestinos e brônquios é a Imunoglobulina A (IgA), ela aparece nas secreções corpóreas, não atravessa a placenta e comumente está ausente no recém-nascido. Em combinação com proteínas mucosa, a IgA é secretada sobre as superfícies mucosas como um anticorpo secretório, além do que está presente no leite materno conferindo uma imunidade passiva ao lactente. A IgA secretória também limita o crescimento bacteriano no trato gastrointestinal.

A Imunidade celular indireta é mais aparente nas inflamações e é realizada pelas células T, essas reconhecem o antígeno, mobilizam os macrófagos tissulares e na presença de fator de inibição migratória desencadeia reações químicas que converte os macrófagos em fagócitos que irão destruir os antígenos. Esta imunidade celular indireta também é adquirida passivamente ao neonato através do aleitamento materno.

As infecções congênitas são aquelas adquiridas ainda no útero e resultam da exposição a vírus como citomegalovírus, rubéola, hepatite B, herpes simples, herpes-zoester, varicela e Epstein-Barr ou agentes nas virais como: toxoplasmose, sífilis, tuberculose, tripanossomíase e malária coletivamente esses agentes são denominados de TORCH. As infecções por TORCH podem causar uma ampla faixa de sequelas, desde aborto espontâneo e morte fetal até infecções explícitas ou assintomáticas ao nascer. O feto pode ser infectado por organismo que chegam à bolsa amniótica por meio da cérvice materna ou pela placenta.

Sistema Neurológico
O sistema neurológico do recém- nascido, embora não esteja totalmente desenvolvido, poderá realizar funções complexas necessárias para regular a adaptação do neonato como: estimular as respirações iniciais, manter o equilíbrio ácido-básico e regular a temperatura corporal.

A função neurológica do recém-nascido é controlada principalmente pelo tronco cerebral e pela medula espinhal, o sistema autônomo e o tronco cerebral coordenam as funções respiratórias e cardíacas. Todos os nervos cranianos estão presentes ao nascimento, porém, os nervos não são totalmente recobertos pela substância essencial (mielina) para uma transmissão suave do impulso nervoso.

Ao nascer, o cérebro necessita de um suprimento constante de glicose como fonte de energia e de um nível relativamente alto de oxigênio para manter um metabolismo celular adequado. O estado de oxigenação do neonato e os níveis de glicose sérica devem ser avaliados e monitorados cuidadosamente, a fim de se detectarem o comprometimento das trocas gasosas e sinais de hipoglicemia. No desenvolvimento do trato nervoso as vias nervosas sensorial, cerebelar e extrapiramidal são as primeiras a se desenvolverem, isto responde pelo forte senso de audição, paladar e olfato do neonato.

Os reflexos do neonato classificados como alimentares, protetores, posturais e sociais incluem reflexos primitivos como a sucção e o reflexo de procura (que leva o recém-nascido a se virar em direção ao mamilo e procurá-lo). Esses reflexos servem de base ao exame neurológico do recém-nascido, a persistência de reflexos neonatais além da idade em que eles comumente desaparecem pode indicar anormalidades neurológicas.

Metabolismo
O choque térmico do nascimento, a asfixia relativa ao trabalho de parto e a necessidade de fontes de energia independentes, bem como de oxigênio, levam aos principais distúrbios metabólicos do nascimento: hipóxia, hipoglicemia e hipotermia.


Antes do nascimento o feto depende integralmente de mãe para o fornecimento de glicose para o metabolismo energético e para síntese metabólica. Com o nascimento há uma interrupção do fornecimento de glicose, fazendo com que durante as primeiras horas de vida o recém-nascido atinja os menores níveis de glicemia.





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Exame laboratorial PCR (Proteína C Reativa)



O exame que mensura a dosagem de proteína C reativa (PCR) é feito através da coleta do sangue. A proteína C reativa é produzida no fígado, sendo o principal marcador de fase aguda de processos inflamatórios e necróticos (morte do tecido) que ocorrem no organismo, principalmente processos inflamatórios associados a infecções bacterianas.

A concentração de PCR no sangue é muito baixa nos indivíduos saudáveis, já nas pessoas idosas o valor pode subir ligeiramente.



O valor normal de PCR situa-se até 0.1 mg/dL ou 1mg/L

Pessoas com níveis de PCR persistentemente acima de 0,3 mg/dL (3 mg/L) apresentam maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, tais como infarto e AVC. Um valor elevado sugere a existência de um processo inflamatório em curso. A PCR, aponta precocemente a existência de uma inflamação/infecção, mas, o exame sozinho é incapaz de dizer a sua origem, ou seja, ela não serve para identificar qual é a doença que está provocando o quadro.

Altas concentrações de PCR indicam a presença de um processo inflamatório na fase aguda, o que pode ser causado por diversas doenças, exemplos:
  • Artrite reumatoide;
  • Apendicite;
  • Infecções bacterianas;
  • Queimaduras;
  • Pancreatite aguda;
  • Doença inflamatória no intestino;
  • Lúpus eritematoso sistêmico;
  • Linfoma;
  • Infarto do miocárdio;
  • Acidente Vascular Cerebral (AVC);
  • Doença inflamatória pélvica;
  • Sepse (infecção generalizada);
  • Pós-operatório de alguma cirurgia (3 primeiros dias);
  • Tuberculose.

Existem condições que também podem aumentar os níveis de PCR mesmo não estando relacionas com processos infecciosos ou inflamatórios, são eles:
  • Uso de anti-inflamatórios não-esteroides (AINE); 
  • Corticoides;
  • Aspirina; 
  • Estatinas; 
  • Anticoncepcionais; 
  • Beta-bloqueadores; 
  • Terapia de reposição hormonal;
  • Uso de dispositivo intrauterino (DIU);
  • Obesidade

Já níveis de PCR baixo significam que não existe um processo inflamatório ou infeccioso agudo no corpo:

- Níveis de PCR abaixo de 0,1 mg/dL significam poucas chances de desenvolver doenças cardiovasculares;
- Níveis de PCR entre 0,1 mg/dL e 0,3 mg/dL significam risco moderado de desenvolver doenças cardiovasculares;
- Níveis de PCR constantemente acima de 0,3 mg/dL significam risco elevado de desenvolver doenças cardiovasculares.




Medidas de Prevenção de Infecção do Trato Urinário, ANVISA



A infecção do trato urinário - ITU é uma das causas prevalentes de IRAS de grande potencial preventivo, visto que a maioria está relacionada à cateterização vesical.
O diagnóstico clínico precoce, associado aos exames complementares (qualitativo e quantitativo de urina e urocultura), fornece evidência para uma adequada terapêutica, apesar dos casos de bacteriúria assintomática e candidúria, que podem induzir tratamentos desnecessários.

A terapêutica deverá ser conduzida empiricamente, fundamentada nas taxas de prevalência das infecções urinárias locais e nos protocolos elaborados em conjunto com a equipe assistencial, CCIH, Comissão de Farmácia e Terapêutica – CFT e Laboratório de Microbiologia, e ajustada aos resultados de culturas.

A associação de hemoculturas em casos selecionados trará informações adicionais, especialmente, em pacientes hospitalizados com sepse de foco urinário (20%). Deverá ser sempre considerada como hipótese diagnóstica em pacientes com febre sem foco aparente.


Definição das infecções do trato urinário. 


Definição das Infecções do Trato Urinário Relacionadas à Assistência à Saúde.

- Infecção do trato urinário relacionada à assistência à saúde associada a cateter vesical* (ITU-AC) 
Qualquer infecção sintomática de trato urinário em paciente em uso de cateter vesical de demora há pelo menos 48 horas;

- Infecção do trato urinário relacionada à assistência à saúde não associada a cateter
(ITU-NAC) Qualquer infecção sintomática de trato urinário em paciente sem uso de cateter vesical de demora no momento ou há 24 horas.

- Outras infecções do sistema urinário (ISU) ITU não relacionada a procedimento urológico (cirúrgico ou não) diagnosticado após a admissão em serviço de saúde que não está em seu período de incubação no momento da admissão.
Compreendem as infecções do rim, ureter, bexiga, uretra, e tecidos adjacentes ao espaço retroperitoneal e espaço perinefrético. Incluem-se as infecções associadas a procedimentos urológicos não cirúrgicos. 

* Cateter vesical de demora: considera-se aquele que entra pelo orifício da uretra e permanece. Excluem-se cateter duplo J, cistostomia, punção supra púbica e cateterização intermitente.

Epidemiologia e fatores de risco

As ITUs são responsáveis por 35-45% das IRAS em pacientes adultos, com densidade de incidência de 3,1-7,4/1000 cateteres/dia. Aproximadamente 16-25% dos pacientes de um hospital serão submetidos a cateterismo vesical, de alívio ou de demora, em algum momento de sua hospitalização, muitas vezes sob indicação clínica equivocada ou inexistente e até mesmo sem conhecimento médico.

A problemática continua quando muitos pacientes permanecem com o dispositivo além do necessário, apesar das complicações infecciosas (locais e sistêmicas) e não infecciosas (desconforto para o paciente, restrição da mobilidade, traumas uretrais por tração), inclusive custos hospitalares e prejuízos ao sistema de saúde público e privado.
Entende-se que o tempo de permanência da cateterização vesical é o fator crucial para colonização e infecção (bacteriana e fúngica). A contaminação poderá ser intraluminal ou extraluminal (biofilme), sendo esta última a mais comum. O fenômeno essencial para determinar a virulência bacteriana é a adesão ao epitélio urinário, colonização intestinal, perineal e cateter. 
O crescimento bacteriano inicia-se após a instalação do cateter, numa proporção de 5-10% ao dia, e estará presente em todos os pacientes ao final de quatro semanas. O potencial risco para ITU associado ao cateter intermitente é inferior, sendo de 3,1% e quando na ausência de cateter vesical de 1,4%

Os pacientes acometidos pela afecção são de ambos os sexos, apresentam agravantes relativos dependentes de doenças clínicas/cirúrgicas e relacionadas à unidade de internação. Em uma parcela de indivíduos a manifestação de bacteriúria clinicamente significativa, porém transitória, desaparece após a remoção do cateter, contudo poderá ocorrer septicemia com alta letalidade em alguns casos específicos relacionados também ao hospedeiro.

Os agentes etiológicos responsáveis por essas ITU costumam, inicialmente, pertencer à microbiota do paciente. E, posteriormente, devido ao uso de antimicrobianos, seleção bacteriana, colonização local, fungos e aos cuidados do cateter, pode ocorrer a modificação da microbiota. As bactérias Gram negativas (enterobactérias e não fermentadores) são as mais frequentes, mas Gram positivos são de importância epidemiológica, especialmente do gênero Enterococcus.

A sobrecarga financeira relacionada a cada episódio de ITU alcança em média U$ 675,00 dólares, até um adicional de U$ 2,800 dólares nos casos que evoluem com bacteremia, aumentando o período pós-operatório em média para mais de 2,4 dias em pacientes cirúrgicos.

A despeito da estreita relação existente entre cateterismo vesical e ITU, percebe-se a fragilidade na implantação de estratégias de medidas preventivas simples, tanto no Brasil quanto no exterior. É possível que uma percepção universalmente errônea do caráter menos agressivo quanto à morbidade, mortalidade e impacto econômico das ITU em relação às outras IRAS seja a explicação para tal atitude.




Técnica de inserção do cateter urinário

- Reunir o material para higiene íntima, luva de procedimento e luva estéril, campo estéril, sonda vesical de calibre adequado, gel lubrificante, antisséptico preferencialmente em solução aquosa, bolsa coletora de urina, seringa, agulha e água destilada;
- Higienizar as mãos com água e sabonete líquido ou preparação alcoólica para as mãos;
- Realizar a higiene íntima do paciente com água e sabonete líquido (comum ou com antisséptico);
- Retirar luvas de procedimento, realizar higiene das mãos com água e sabão;
- Montar campo estéril fenestrado com abertura;
- Organizar material estéril no campo (seringa, agulha, sonda, coletor urinário, gaze estéril) e abrir o material tendo o cuidado de não contaminá-lo;
- Calçar luva estéril;
- Conectar sonda ao coletor de urina (atividade), testando o balonete (sistema fechado com sistema de drenagem com válvula anti-refluxo);
- Realizar a antissepsia da região perineal com solução padronizada, partindo da uretra para a periferia (região distal);
- Introduzir gel lubrificante na uretra em homens;
- Lubrificar a ponta da sonda com gel lubrificante em mulheres;
- Seguir técnica asséptica de inserção;
- Observar drenagem de urina pelo cateter e/ou sistema coletor antes de insuflar o balão para evitar lesão uretral, que deverá ficar abaixo do nível da bexiga, sem contato com o chão; observar para manter o fluxo desobstruído;
- Fixar corretamente o cateter no hipogástrio no sexo masculino e na raiz da coxa em mulheres (evitando traumas);
- Assegurar o registro em prontuário e no dispositivo para monitoramento de tempo de permanência e complicações;
- Gel lubrificante estéril, de uso único, com ou sem anestésico (dar preferência ao uso de anestésico em paciente com sensibilidade uretral);
- Uso para cateter permanente;
- Utilizar cateter de menor calibre possível para evitar trauma uretral. (B-III).
Atenção: Não há evidências que o uso de sondas impregnadas com prata ou antibiótico diminui o risco de infecção (grau de recomendação B). Cateteres de silicone mostram menor tendência a apresentar incrustações. Cateteres hidrofílicos trazem mais conforto e qualidade de vida ao paciente, porém o uso não há evidências de redução de infecção.

Atenção: O teste do balonete pode ser realizado em um dos seguintes momentos: 
1) antes de dispor o material no campo estéril: aspira-se a água destilada e testa-se o balonete, segurando a sonda dentro do pacote, expondo apenas o local de preenchimento do balonete; 
2) dentro do campo estéril: colocando a seringa e a sonda no campo estéril, a água destilada na cuba rim. Aspira-se a água destilada e testa-se a integridade do balonete. 
Indicação do uso de cateter urinário

Não use cateter urinário, exceto nas seguintes situações: 
1. Pacientes com impossibilidade de micção espontânea;
2. Paciente instável hemodinamicamente com necessidade de monitorização de débito urinário;
3. Pós - operatório, pelo menor tempo possível, com tempo máximo recomendável de até 24 horas, exceto para cirurgias urológicas específicas;
4. Tratamento de pacientes do sexo feminino com úlcera por pressão grau IV com cicatrização comprometida pelo contato pela urina.
Sempre dar preferência ao cateterismo intermitente ou drenagem suprapúbica e uso de drenagem externa para o sexo masculino.


FonteANVISA, Medidas de Prevenção de InfecçãoRelacionada à Assistência à Saúde, 2ª Edição - 2017. (PAGINA 02: É permitida a reprodução parcial ou total dessa obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial).





 
Enfermagem a profissão do cuidar