Fatores de risco para câncer peniano


Fator de risco é o que afeta (positivamente ou negativamente) a probabilidade de um indivíduo exposto e sob risco (livre de doença) vir a desenvolver a doença (LAST).

Nesse contexto um fator de risco é qualquer coisa que provoque uma chance de contrair uma doença como o câncer ou qualquer outra doença, até porque diferentes tipos de câncer,  têm diferentes fatores de risco.

Por outro lado, alguns homens que desenvolvem câncer de pênis não têm fatores de risco conhecidos, e cientistas descobriram que, uma infecção devido ao papiloma vírus (HPV) pode fazer com que o homem desenvolva um câncer de pênis.



Dando continuidade o papiloma vírus humano (HPV) é um grupo de mais de 150 vírus relacionados. São chamados de papiloma porque alguns deles causam verrugas chamadas papiloma.  Diferentes tipos de HPV causam diferentes tipos de verrugas em vários partes do corpo. Alguns podem infectar os órgãos genitais e a área perianal, chamadas condiloma acuminado (ou apenas condilomas). Outros tipos de HPV foram associados a certos tipos de câncer. 

Na verdade, o HPV é encontrado em cerca da metade de todos os cânceres penianos Inca, sendo transmitido de uma pessoa para outra durante o contato pele a pele com um área do corpo. O HPV pode se espalhar durante a atividade sexual - incluindo vaginal, anal e oral mas o sexo não precisa ocorrer para a infecção se espalhar. 


Sendo assim,  a infecção pode começar no pênis e depois disseminar-se para o ânus. A infecção pelo HPV é comum e na maioria dos homens, o próprio sistema imune elimina a infecção, porém em alguns casos, a infecção não desaparece e se torna crônica. Com o tempo, essa cronicidade poderá causar alguns tipos de câncer, incluindo o câncer de pênis.

Portanto de acordo com Hernandez et al, os homens não circuncidados têm um risco aumentado de infecção pelo HPV oncogênico especificamente localizado na glande, possivelmente devido à sua proximidade com o prepúcio, que pode ser particularmente vulnerável à infecção. 

Nesse contexto a razão para um menor risco em homens circuncidados não é totalmente clara, mas pode ser relacionado a outros fatores de risco conhecidos. Por exemplo, os homens que são circuncidados não podem desenvolver a condição chamada fimose, e talvez não acumulem uma secreção conhecida por smegma. A superfície interna do prepúcio e a superfície da glande são membranas mucosas que devem permanecer úmidas para funcionar adequadamente. De acordo com estudos, essa secreção serve para  preservar a umidade sub-prepucial (SONNEX et al).
Pesquisadores do Hospital Botkin em Moscou afirmaram que o smegma é produzido a partir de protuberâncias microscópicas minúsculas na superfície da mucosa do prepúcio. Segundo esses cientistas, as células vivas crescem constantemente em direção à superfície, sofrem degeneração gordurosa, separam-se e formam a smegma. Ainda segundo Sonnex et al, em alguns homens é inodoro, mas tem sido relatado que em outros podem endurecer, conhecidas como "pedras de smegma" principalmente em que não mantêm hábitos higiênicos (SONNEX et al).
A maioria dos especialistas acredita que o próprio smegma provavelmente não causa câncer de pênis, mas pode irritar e inflamar o pênis, o que pode aumentar o risco da doença e também dificultar a visualização de cânceres precoces.



Prevenção

Diferentes fatores causam diferentes tipos de câncer. Os pesquisadores continuam investigando quais são esses fatores, embora não exista uma maneira comprovada de prevenir completamente essa doença, você pode diminuir seu risco. Converse com seu médico para obter mais informações sobre seu risco pessoal de câncer.

Circuncisão

A circuncisão pode fornecer alguma proteção contra o câncer de pênis porque a remoção do prepúcio ajuda a manter a área limpa. O carcinoma epidermóide/células escamosas do pênis quase nunca ocorre em homens circuncidados. No entanto, é importante notar que a circuncisão sozinha não pode prevenir o câncer de pênis.

Higiene pessoal

Homens que limpam cuidadosamente e completamente a área sob o prepúcio em uma base regular podem reduzir o risco de desenvolver câncer peniano.

Fumo

Não fumar e evitar práticas sexuais que podem levar a uma infecção por HPV ou HIV/AIDS pode ajudar a diminuir o risco de câncer de pênis. Homens que fumam e/ou usam outras formas de tabaco têm maior probabilidade de desenvolver a doença, devido às diversas substancias carcinogênicas presentes no cigarro.

Estas substâncias nocivas são inaladas para os pulmões, onde são absorvidos pelo sangue através da mucosa da boca causando câncer de pulmão, podendo disseminar-se para a corrente sanguínea ao longo do organismo causando a doenças em outras áreas do corpo.

Conforme Asco, pesquisadores acreditam que estas substâncias danificam os genes nas células do pênis, o que pode levar ao câncer de pênis.

Devem existir várias razões para não fumar. Talvez conviver com alguém que amamos muito ou mesmo você que está lendo esteja sofrendo com os efeitos negativos do uso de cigarros. Evite pessoas que fumam ou lugares cheios de fumaça. Quando desistimos, do tabaco e dos hábitos inseguros, muitas vezes ficamos surpresos com as mudanças de atitude que sentimos em relação ao fumo e à vida em geral. Não esconda suas emoções por trás de um véu de fumaça. Cuidados com as pessoas de suas relações. Use sempre camisinha.



Contribuiu com este Artigo:




Enf. Prof. Ms. Dra. Maria Lucia Moura
Especialista em Docencia do Ensino Superior;
Especialista em Gestão no Programa Saúde da Familia;
Especialista em Enfermagem do Trabalho.


REFERENCIAS


ASCO. American Society of Clinical Oncology. Penile Cancer: Risk Factors and Prevention. 8/2017. Disponivel em: https://www.cancer.net/cancer-types/penile-cancer/risk-factors-and-prevention

BRASIL. Instituto Nacional do Câncer - INCA. Cancer. 2018. Disponivel em: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/colo_utero/hpv-cancer-perguntas-mais-frequentes

HERNANDEZ BY, WILKENS LR,  ZHU  X, McDUFFIE K,  THOMPSON  P, SHVETSOV YB, NING L, GOODMAN MT. Circumcision and Human Papillomavirus Infection in Men: A Site-Specific Comparison.  J Infect Dis. 2008 Mar 15; 197(6): 787–794. Disponivel em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2596734/

LAST JM, editor. Dictionary of epidemiology. 4th ed. New York: Oxford University Press; 2001

SONNEX  C, CROUCHER PE,  DOCKERTY  WG. Balanoposthitis associated with the presence of subpreputial "smegma stones". Genitourin Med. 1997 Dec;73(6):567.Disponivel em:  https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9582487