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Parto Cesáreo e Riscos Associados

Estudos mostram que o parto cesáreo é um procedimento seguro, levando sempre em conta a avaliação do benefício em relação aos riscos. ...


Estudos mostram que o parto cesáreo é um procedimento seguro, levando sempre em conta a avaliação do benefício em relação aos riscos. Porém, quando esse tipo de parto é comparado com o parto vaginal (normal), o índice de complicações para a mãe e para o feto é maior, demonstrando assim risco de casos endometrite e prematuridade iatrogênica, entre outras situações. As cesarianas repetidas e as incisões uterinas já existentes podem tornar o futuro reprodutivo da mulher limitado devido o risco de rotura uterina (ZIMMERMMANN et al, 2009). Visto isso, é importante ficar claro qual a indicação do parto cesáreo, seja ele de forma eletiva ou de emergência.

Outros estudos mostraram que os riscos podem ser em situações futuras, não coincidindo com condições agudas, como casos de placenta prévia e descolamento prematura de placenta em gestações posteriores (MACHADO JUNIOR et al, 2009).


O fato é que cesarianas repetidas aumentam o risco gestacional, independentemente da via de parto. Um estudo revisando as complicações maternas associadas com múltiplas cesáreas recomenda aconselhar às mulheres que aproximadamente 9% das pacientes submetidas a múltiplas cesáreas podem apresentar complicações importantes (ruptura uterina, necessidade de histerectomia ou relaparotomia, lesão de bexiga ou intestinos, tromboembolismo e hemorragia). Aproximadamente 1% dessas mulheres requer histerectomia, geralmente em decorrência de inserção anômala da placenta (AMORIM; SOUZA; PORTO, 2010).

É de suma importância que a orientação seja difundida de forma ampla, com clareza sobre os tipos de parto e seus riscos de complicações. Desse modo, haverá sensibilização sobre os benefícios e riscos, levando assim a uma opção consciente (NOMURA; ALVES; ZUGAIB, 2004).


Por ser um procedimento cirúrgico, uma elevada taxa de cesarianas associa-se ao aumento de riscos relacionados à anestesia utilizada nesse tipo de parto, morbidade operatória da puérpera e do recém-nascido, como também riscos em partos futuros (DE ALMEIDA CUNHA et al, 2002).

Cecatti; Calderón (2005) estudaram sobre intervenções benéficas durante o parto para a prevenção da mortalidade materna e constataram que:


“Além de uma série de complicações mais relacionadas ao parto por cesárea do que ao parto vaginal, vários estudos têm também demonstrado um risco relativo de morte materna maior para o parto por cesárea em relação ao vaginal, principalmente associado à ocorrência de complicações hemorrágicas, infecciosas, embolia pulmonar e acidentes anestésicos. É bem verdade que, em vários contextos, a falta de acesso à cesárea, como de resto a todos os procedimentos de atenção obstétrica de emergência, pode representar o risco maior de morte materna. De fato, as taxas elevadas de cesáreas constituem um problema do sistema de saúde dos países em desenvolvimento. Mesmo não considerando os riscos médicos associados a este procedimento, outras vantagens econômicas para o sistema são observadas com a redução destas taxas, tanto no serviço público quanto no privado.”


Uma pesquisa realizada no Estado de São Paulo na rede de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) no período de 2001 a 2003 apontou para maior risco de morte materna associada ao parto cesáreo do que ao parto normal, mantendo-se mesmo após controle da idade, paridade e doenças maternas. Outro resultado identificado foi o maior risco de reinternação (incluindo casos de colecistite aguda e apendicite) associado à cesariana eletiva comparada ao parto normal (MACHADO JUNIOR et al, 2009).
Além dos riscos para a mãe, estudos mostram que os riscos de complicações para o recém-nascido em relação ao tipo de parto são maiores na cesariana eletiva. Há mais riscos de problemas respiratórios no neonato, como também mais casos de baixo peso ao nascer (MACHADO JUNIOR et al, 2009).


Os riscos da cesárea para o recém-nascido são de dois tipos. Um é o risco de interromper prematuramente a gravidez por erro de cálculo da idade gestacional, especialmente no caso de cesáreas com data marcada. Outro é o de angústia respiratória para os recém- -nascidos de parto cesárea, em comparação com os de parto vaginal, mesmo que ambos estejam a termo. Os dados disponíveis sugerem que o risco de prematuridade não é apenas uma hipótese, mas um risco real para a cesariana eletiva sem indicação médica (FAÚNDES, CECATTI, 1991).


Visto todos os riscos existentes em morbidade e complicações tanto para a mãe como para o neonato, a alta incidência de cesarianas coopera para a falta de leitos, prejudicando assim o sistema de saúde (rede, fluxos). Essa situação foi verificada em São Paulo. Enquanto um parto normal que não apresenta complicações, a alta da puérpera e do neonato se dá após 24 horas de internação, já no caso de uma cesariana (sem complicações) essa estadia fica em 72 horas. Isso também influencia a demanda aumentada de leitos de cuidado intensivo neonatal pode ser identificada pela alta incidência de partos cesáreos eletivos que repercutem em recém-nascidos com prematuridade iatrogênica, uma complicação comum desse tipo de parto (DINIZ; CHACHAM, 2006).

A taxa de mortalidade materna reduziu em número significativo nos últimos anos, porém ainda existem muitos casos e situações em que determinados procedimentos poderiam ser evitados e assim impossibilitar complicações e até mesmo óbitos. Essa situação decorre de diversos fatores, principalmente: falta de conhecimento das gestantes, conscientização e sensibilização destas para o parto. Outro fator importante também se refere ao perfil de profissionais e serviços de saúde, que podem exercer grande influência e conduzir práticas com déficits na humanização. Em relação ao parto, pode-se inferir que em muitos casos alguns procedimentos são desnecessários, sendo esses índices ainda mais elevados na iniciativa privada/saúde suplementar. Com esse quadro, grande é o desafio para a mudança de cultura, compartilhamento de responsabilidades nos setores público e privado para que ocorra avanços e mudanças no cenário que coloca em risco a saúde mulheres e crianças no país.

Os indicadores de saúde relacionados aos nascimentos são instrumentos de grandiosa magnitude para os processos de monitorização e avaliação, ou seja, possibilitam o conhecimento e estabelecimento de políticas específicas e a formulação de planos (estratégias) para a prestação de serviços com maior efetividade na transformação da saúde do município, desde o planejamento familiar, pré-natal até o parto.

Contribuiu com este Artigo:

Guilherme de Andrade Ruela
Graduação em Enfermagem pela Universidade Vale do Rio Doce (UNIVALE). Especialização em Micropolítica da Gestão e Trabalho em Saúde (Universidade Federal Fluminense - UFF); Gestão Microrregional de Saúde (SENAC-MG); Enfermagem do Trabalho (Faculdade Integradas de Jacarepaguá - FIJ); Gestão e Logística Hospitalar e Gestão de Programas Saúde da Família (Faculdade do Noroeste de Minas - FINOM). Aperfeiçoamento em Qualificação de Gestores do SUS; Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa e Impactos da Violência na Saúde (Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca - ENSP/Fiocruz).

REFERÊNCIAS

ZIMMERMMANN, Juliana Barroso et al. Complicações puerperais associadas à via de parto. Revista Médica de Minas Gerais, v. 19, n. 2, p. 109-116, 2009. Disponível em: <http://rmmg.org/artigo/detalhes/459>. Acesso em 30 ago. 2015.

AMORIM, Melania Maria Ramos; SOUZA, Alex Sandro Rolland; PORTO, Ana Maria Feitosa. Indicações de cesariana baseadas em evidências: parte I. Femina, v. 38, n. 8, 2010. Disponível em: < http://files.bvs.br/upload/S/0100-7254/2010/v38n8/a1585.pdf >. Acesso em 30 ago. 2015.

NOMURA, Roseli Mieko Yamamoto; ALVES, Eliane Aparecida; ZUGAIB, Marcelo. Complicações maternas associadas ao tipo de parto em hospital universitário. Rev Saúde Pública, v. 38, n. 1, p. 9-15, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rsp/v38n1/18446.pdf>. Acesso em 30 ago. 2015.

DE ALMEIDA CUNHA, Alfredo et al. Modelo preditivo para cesariana com uso de fatores de risco. RBGO, v. 24, n. 1, 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v24n1/8504.pdf>. Acesso em 30 ago. 2015.

CECATTI, José Guilherme; CALDERÓN, Iracema de Matos Paranhos. Intervenções benéficas durante o parto para a prevenção da mortalidade materna. Rev Bras Ginecol Obstet, v. 27, n. 6, p. 357-65, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbgo/v27n6/a11v27n6.pdf>. Acesso em 30 ago. 2015.

MACHADO JUNIOR, Luís Carlos et al. Associação entre via de parto e complicações maternas em hospital público da Grande São Paulo, Brasil. Cad. saúde pública, v. 25, n. 1, p. 124-132, 2009. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csp/v25n1/13.pdf>. Acesso em 30 ago. 2015.

FAÚNDES, Aníbal; CECATTI, José Guilherme. A operação cesárea no Brasil: incidência, tendências, causas, conseqüências e propostas de ação. Cadernos de Saúde Pública, v. 7, n. 2, p. 150-173, 1991. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csp/v7n2/v7n2a03.pdf>. Acesso em 30 ago. 2015.

DINIZ, Simone G.; CHACHAM, Alessandra S. O “corte por cima” e o “corte por baixo”: o abuso de cesáreas e episiotomias em São Paulo. Questões de Saúde Reprodutiva, v. 1, n. 1, p. 80-91, 2006. Disponível em: <http://www.mulheres.org.br/revistarhm/revista_rhm1/revista1/80-91.pdf>. Acesso em 30 ago. 2015.

COMENTÁRIOS

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  1. Muito bom mesmo gostei parabéns

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Auditoria,8,Centro Cirúrgico,22,Dicas de Saúde,13,Doenças,36,Medicamentos,26,Publieditorial,5,Relacionados à Enfermagem,112,Relacionados à Saúde,121,Técnicas de Enfermagem,37,
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Parto Cesáreo e Riscos Associados
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