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Cuidados com o corpo após a morte



A assistência ao corpo de um paciente após a morte deve ser prestada com dignidade e respeito, independentemente do procedimento a ser seguido.

Os profissionais da equipe de enfermagem ultrapassam a dimensão do cuidar e do cuidado para além do momento de morte já que a eles cabem o cuidado com o corpo pós-morte.

O decreto 94.406 /87, que regulamenta a Lei nº 7.498/86, que dispõe sobre a regulamentação do exercício da Enfermagem em nosso país, determina:

“Art. 11– O auxiliar de Enfermagem executa as atividades auxiliares, de nível médio atribuídas a equipe de Enfermagem, cabendo-lhe:

VIII – Participar dos procedimentos pós-morte.”...


O Código de ética dos profissionais de Enfermagem (Resolução COFEN nº 311/2007), em sua Seção I, das relações com a pessoa, família e coletividade; das responsabilidades e deveres dos profissionais de enfermagem, afirma:

“Art. 19 – Respeitar o pudor, a privacidade e intimidade do ser humano, em todo seu ciclo vital, inclusive nas situações de morte e pós-morte.”

Cada instituição segue alguns procedimentos específicos para atender o indivíduo depois da morte.

Cuidados com corpo pós-morte são os cuidados após a constatação médica de óbito. Após essa constatação, a enfermagem deve colocar o corpo do falecido em posição horizontal e começar os procedimentos para preparar o corpo antes que ocorra a rigidez cadavérica.


Morte significa o término de um ciclo. Trata-se de um fenômeno natural que todos passarão. É certo que esse dia chegará, felizmente não podemos precisar o momento exato. Essa imprecisão, aliada à incerteza do que encontraremos adiante, a dúvida sobre a possível continuidade de alguma forma de vida, causa-nos medo e insegurança. Contudo, cada um apresenta uma reação de acordo com suas próprias vivências e formação cultural. Nesse contexto, o conceito de morte é relativo (depende do desenvolvimento psíquico e situação afetiva de cada pessoa), é complexo e mutável, depende do contexto situacional.

Desde a formação, o profissional de enfermagem tem uma pré-concepção em relação ao ser humano que vivencia seu processo de morte e de morrer. E em decorrência disso, torna-se possível fazer indagações sobre como podemos enfrentar o medo da morte e, assim, como sermos mais eficientes diante do outro ser humano que enfrenta a experiência única de estar findando sua existência física.


Cuidados dispensados ao corpo após a constatação médica de óbito.

Objetivos: 

- Deixar o corpo limpo

- Preservar a aparência natural do corpo

- Evitar a saída de gazes, odores fétidos, sangue e secreções.

- preparar o corpo para o funeral;

- facilitar a identificação do corpo.

Após a constatação do óbito:

- Cercar o leito com biombos, colocar o avental e calçar as luvas de procedimento e outros equipamentos de proteção individual (EPI), com máscara e óculos caso necessário;

- observar a hora;


Fechar os olhos, fazendo compressão nas pálpebras ou colocando compressas de gaze embebida em água fria, gelada ou éter;

- Elevar ligeiramente a cabeceira deixando os membros alinhados;

- Colocar prótese dentária se houver;

- Retirar sondas, drenos, cateteres, cânulas...;

- Retirar da cama travesseiro e roupas extras;

- Cobrir o corpo com um lençol.

Material:


- algodão;

- atadura de crepe;

- pinça longa;

- esparadrapo;

- etiquetas de identificação (conforme rotina da Instituição);

- cuba rim;

- luva de procedimento;

- 2 lençóis;

- bacia com água e luva de banho se necessário. Cuidados importantes

- Evitar comentários desnecessários e manter atitude de respeito ao corpo.

- Em caso de necrópsia e encaminhamento para o Instituto Médico-Legal não fazer tamponamentos.


Tipos de Óbito
Definido – quando a causa da morte é conhecida;

Mal-definido – quando a causa da morte é desconhecida. O corpo é submetido à necrópsia;

Caso de polícia – tem comprometimento legal. São óbitos decorrentes de acidentes e agressões, o corpo é encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

A equipe de Enfermagem diante da morte

Os profissionais são freqüentemente expostos a situações de enfrentamento da morte de pessoas sob seus cuidados, sobretudo aqueles que atuam em serviços hospitalares. Apesar desse confronto com a morte no seu cotidiano de trabalho, esses profissionais encontram dificuldade em encará-la como parte integrante da vida, considerando-a, com frequência, como resultado do fracasso terapêutico e do esforço pela cura.

Estudar as concepções culturais do processo saúde-doença-morte nas diferentes sociedades pode possibilitar aos profissionais de enfermagem compreender seus próprios valores e crenças diante do processo de morrer e da morte bem como suas atitudes e ações relacionadas com as questões do cotidiano que influenciam na sua vida pessoal e profissional.

Há uma necessidade que os profissionais têm então, de quebrarem o silêncio e ousarem falar de suas dores, medos, do luto que deve ser elaborado, a fim de que suas demandas sejam atendidas e o melhor cuidado seja oferecido. É importante que eles se permitam entristecer e não se sintam culpados.

Quando paramos para pensar sobre o que se é permitido sentir o profissional enfermeiro a cerca da morte, vem o questionamento quanto ao comportamento que deve ser assumido frente ao paciente que morre e a família, pondo dúvidas em torno do cuidar com respeito.

Os profissionais de saúde acabam criando mecanismos de defesa que os auxiliam no enfrentamento da morte e do processo de morrer. Por serem preparados para manutenção da vida, a morte e o morrer em seu cotidiano, suscitam sentimentos de frustração, tristeza, perda, impotência, estresse e culpa. Em geral, o despreparo leva o profissional a afastar-se da situação.

Como um mecanismo de defesa e proteção contra o sofrimento, o processo de morrer e morte passa a ser visto como banal, sendo o distanciamento e endurecimento das relações frente à morte e ao paciente terminal algo tornado natural e considerado comum e rotineiro.



   

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