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Teste do pezinho e os cuidados de Enfermagem

A triagem neonatal, mais conhecida como teste do pezinho, é um dos exames mais importantes na hora de detectar irregularidades na saúde da criança.

O Teste do Pezinho é um exame laboratorial simples e tem como finalidade detectar precocemente doenças metabólicas, genéticas ou infeciosas que poderão causar lesões irreversíveis no bebê, como por exemplo retardo mental.

O teste do pezinho chegou ao Brasil na década de 70 para identificar a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito.  Em 1992, o teste se tornou obrigatório em todo o território nacional.




A Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal (SBTN) esclarece que, com o exame, é possível fazer o diagnóstico de diversas doenças a tempo de se interferir em seu curso, permitindo a adoção de tratamento precoce específico e a diminuição ou eliminação das sequelas associadas a cada doença.

Atualmente, o teste está disponível em todos os estados, que contam com pelo menos um serviço de referência em triagem neonatal e diversos postos de coleta nos municípios de cada estado, segundo informações do Ministério da Saúde. O exame oferecido pela rede pública de saúde — em 2001 o ministério criou o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) — detecta o hipotireoidismo congênito e a fenilcetonúria. Alguns estados estão habilitados a constatar também nos bebês as hemoglobinopatias (como a anemia falciforme) e outros ainda diagnosticam a fibrose cística. De acordo com a SBTN, laboratórios particulares, o teste do pezinho permite identificar mais de 30 doenças antes que seus sintomas se manifestem.

É um exame feito a partir de gotas de sangue coletada do calcanhar do bebê e que permite identificar doenças graves.

O Teste do Pezinho deve ser realizado em todas as crianças recém-nascidas, a partir de 48 horas de vida até 30 dias do nascimento. 

Qualquer pessoa pode ter um filho portador de doença, mesmo que nunca tenha aparecido um caso na família. 

Nos dias atuais, o teste é obrigatório por lei em todo o território nacional. O teste do pezinho é obrigatório por força de Lei Federal, (Lei 8069 de 13/07/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente) prevê que todos os hospitais e serviços de saúde realizem gratuitamente o exame considerado básico em até uma semana depois do nascimento da criança. Alguns municípios, inclusive, não permitem que a criança seja registrada em cartório se não tiver feito o Teste do Pezinho anteriormente.

Realização da Coleta:

O local de punção para coleta de material para realização deste teste foi padronizado internacionalmente, como sendo a face lateral do calcâneo, direito ou esquerdo. 

Como toda padronização, esta norma deve ser obedecida para que se possam identificar os bebês que colheram o teste através da informação do local de coleta. Ou seja, não existe outro exame na rede pública de saúde que seja colhido neste local.

Para uma correta realização do teste a equipe de Enfermagem deve estar atualizada e capacitada para a realização do mesmo, bem como estar com todo material necessário em mãos.  

Materiais necessários:

- Luvas de procedimento;
- Recipiente com álcool a 70%;
- Pacote de gaze ou algodão;
- Lancetas esterilizadas descartáveis, com ponta triangular;
- Envelopes com papel-filtro;
- Garroteador de borracha (o mesmo para punção venosa).
  
Procedimento:
A princípio, deve-se preencher o livro de registro, o envelope branco e no papel filtro com todos os dados da criança, com letra legível e sem abreviaturas com caneta esferográfica. 

Obs: Caso a criança não tiver nome colocar RN DE (Nome da Mãe).

  • Profissional de Enfermagem deverá lavar as mãos e colocar as luvas;
  • Orientar a mãe ou responsável sobre o que será feito;
  • A mãe ou outro responsável deve estar em pé e segurar a criança na posição vertical.
  • O profissional deve estar próximo, realizando dessa maneira a anti-sepsia com álcool a 70%.
  • Lancetar/ puncionar o local (face lateral do calcanhar) vigorosamente para evitar re-punção.
  • Não espremer o calcanhar do bebê devido ao perigo de hemólise e extravasamento de líquido intersticial, tanto na amostra coletada como no tecido subcutâneo, provocando edema, hematoma ou equimose.
  • Aguardar a formação de gota espessa de sangue e encostar o verso do primeiro círculo do papel de filtro na gota de sangue formada. Deixar o sangue fluir naturalmente, evitando a “ordenha”, que libera plasma do tecido, diluindo a amostra colhida. Preencher os 3 círculos com sangue.
  • Não deixar coagular o sangue, no pezinho ou no papel de filtro, durante a coleta. Acamada de sangue deve ser fina e homogênea, sem excesso ou falta de sangue, que provocam manchas claras ou escuras no papel de filtro e alteram o resultado do exame.
  • Nunca usar frente e verso do papel para preencher o círculo. Esperar o sangue atravessar o papel até preencher os dois lados do círculo.
  • Limpar o calcanhar com o algodão embebido no álcool a 70%, esperar o mesmo evaporar e ocluir o local da punção com uma pequena bola de algodão e fixar com o micropore.
  • Retirar as luvas de procedimento e lavar as mãos.
  • Entregar o protocolo do exame para a mãe, orientando a mesma para retirar o resultado em 30 dias no mesmo local da coleta.
  • Logo após a coleta o papel filme tem que ser colocado em ambiente arejado em posição horizontal para que ele possa secar por um período de até três horas em temperatura ambiente. Após seco o papel filme pode ser colocado no envelope e guardado na geladeira (no meio ou na parte baixa) dentro de um recipiente fechado;
  • A remessa dos envelopes para o laboratório deve ser feita pelo menos duas vezes por semana. Deve-se destacar a importância da agilidade no transporte dos exames, considerando-se que o diagnóstico e tratamento precoce de Hipotireoidismo e Fenilcetonúria, evitará sequelas neurológicas graves e retardo mental.
Doenças detectadas pelo teste do pezinho básico

As doenças detectadas pelo teste do pezinho básico, que é grátis pelo sus, incluem:

Fenilcetonúria: uma doença que causa um comprometimento neurológico no desenvolvimento da criança;

Hipotireoidismo congênito: doença que pode levar ao retardamento mental e a malformações físicas;

Anemia falciforme: pode levar a alterações em todos os órgãos e sistemas do corpo;

Hiperplasia adrenal congênita: doença que faz com que a criança tenha uma deficiência hormonal de alguns hormônios e um exagero na produção de outros, que pode, inclusive, levar à morte;

Fibrose Cística: doença que leva à produção de uma grande quantidade de muco, comprometendo o sistema respiratório e afetando também o pâncreas;

Deficiência de biotinidase: pode levar a convulsões, falta de coordenação motora, atraso no desenvolvimento e queda dos cabelos.

As doenças detectadas pelo teste do pezinho básico variam conforme o Estado brasileiro, no entanto obrigatoriamente a fenilcetonúria e o hipotireoidismo congênito são sempre pesquisadas.

Doenças detectadas pelo teste do pezinho ampliado

Além das doenças acima citadas, o teste do pezinho ampliado ou expandido consegue detectar outras doenças como por exemplo:

Galactosemia: doença que faz com que a criança não consiga digerir o açúcar presente no leite, podendo levar a um comprometimento do sistema nervoso central;

Toxoplasmose Congênita: doença que pode ser fatal ou levar à cegueira, icterícia que é a pele amarelada, convulsões ou retardo mental;

Deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase: facilita o aparecimento de anemias, que podem variar de intensidade;

Sífilis congênita: uma doença grave que pode levar ao comprometimento do sistema nervoso central;

Aids: doença que leva a um sério comprometimento do sistema imune, que ainda não tem cura;

Rubéola congênita: provoca deformações congênitas como catarata, surdez, retardo mental e até má formações cardíacas;

Herpes congênita: doença rara que pode causar lesões localizadas na pele, mucosas e olhos, ou disseminada, afetando seriamente o sistema nervoso central;

Doença do citomegalovírus congênita: pode gerar calcificações cerebrais e retardo mental e motor;

Doença de chagas congênita: uma doença infecciosa que pode causar retardo mental, psicomotor e alterações oculares.

As doenças detectadas pelo teste do pezinho plus e o teste do pezinho master fazem parte desta lista, no entanto podem ter estes nomes conforme o laboratório e o número de doenças que se quer detectar.

Geralmente o teste do pezinho ampliado só é realizado se houver suspeita de contaminação do bebê, caso a mãe ou o pai sejam portadores de alguma destas doenças.

Se o teste do pezinho detectar alguma destas doenças, o laboratório contacta a família do bebê pelo telefone e o bebê deve fazer novos exames para confirmar a doença ou é encaminhado para uma consulta médica especializada.



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