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Manta térmica na prevenção da hipotermia

A hipotermia é definida como temperatura corporal central menor que 36°C e ocorre frequentemente durante procedimento anestésico, devido à inibição do centro termorregulador, aumento da exposição corporal ao ambiente e diminuição do metabolismo e da produção de calor.

Trata-se de um problema importante e frequente durante e após atos anestésico-cirúrgicos e em pacientes com choque em geral, e tem demonstrado produzir graves efeitos fisiológicos, tais como:
- Redução da função plaquetária e diminuição da ativação da coagulação, o que leva a um aumento de sangramento (coagulopatia), acarretando maior consumo de sangue e de derivados.
- Prolongamento da ação de drogas anestésicas e dos bloqueadores neuromusculares, retardando o período de recuperação anestésica.
- Distúrbios hidroeletrolíticos;
- Isquemia miocárdica;
- Tremores no pós-operatório causando grande desconforto e ativação adrenérgica aumentando o consumo de oxigênio e isquemia miocárdica.



O risco de hipotermia é maior em neonatos, pacientes geriátricos em cirurgias de alta complexidade e de grande porte (ortopédicas, neurológicas e cardiovascular), com tempo cirúrgico prolongado e com grande perda sanguínea, politraumatizados e grandes queimados.

Existem algumas maneiras de aquecer o paciente como cobertores de algodão, colchões térmicos de água e sistemas de aquecimento que envolvem o paciente com ar aquecido e ativamente transferem calor através da pele, usando um equipamento que aquece o ar que flui para uma manta leve que está sobre o paciente.

O fluxo ativo de moléculas aquecidas age como um meio altamente efetivo e seguro de transferência de calor. O aquecimento consta de um dispositivo para gerar e insuflar o ar aquecido pelas mantas.

O aquecimento do paciente antes da indução anestésica provoca aquecimento dos tecidos periféricos reduzindo a hipotermia por dois mecanismos
- Diminuição do gradiente de temperatura central e periférico; 
- Estimulação de vasodilatação, como se o sistema de termorregulação estivesse ativado para manter a dissipação do calor.

O método mais efetivo de manutenção da normotermia intraoperatória é a prevenção por meio de aquecimento prévio, com o objetivo de aquecer a temperatura periférica em maior escala que a temperatura central e promover, após a indução anestésica, menor gradiente entre a temperatura central e periférica, menor redistribuição de calor, resultando em menor hipotermia.

Um dos meios utilizados e eficaz como método de prevenção da hipotermia intraoperatória, é o uso da manta térmica com fluxo de ar aquecido para cirurgia de grande porte à pacientes idosos e neonatos.

Circulação de ar aquecido (manta térmica) é o método de aquecimento não invasivo mais efetivo disponível atualmente e aumenta a temperatura central 0,75 ºC/hora em média. Aquecimento ativo, além de ser o método mais efetivo, pode reverter a hipotermia já instalada. A área total a ser coberta é crucial. O aquecimento da região anterior é mais efetivo que o da parte em contato com a mesa de operação, uma vez que pouco calor é perdido aí. A infusão de soluções aquecidas é útil quando há necessidade de volume maior que 2 litros em 1 hora. Um litro de cristalóide a temperatura ambiente diminui em 0,25 ºC a temperatura central.


Algoritmo para controle de hipotermia na sala cirúrgica

Cuidados de enfermagem: Controle de temperatura da sala cirúrgica. Atenção para manutenção da temperatura ambiente da sala cirúrgica entre 23 e 26 °C antes da indução anestésica. Não exposição do paciente ao ambiente com temperaturas abaixo de 23 °C. Dispor de mantas e cobertores para os pacientes até início do procedimento anestésico cirúrgico. 
Equipe cirúrgica: lavagem de cavidade com líquidos aquecidos, colaboração na manutenção de temperatura entre 23 e 26 °C na sala cirúrgica nos casos de hipotermia instalada.
Anestesiologista: Monitorar temperatura do paciente com termômetro contínuo no intraoperatório e implementar medidas preventivas e terapêuticas para hipotermia (Manta térmica e infusão de líquidos aquecidos). 

A seguir, a sequencia para as ações: 

- Monitorar temperatura em procedimentos acima de 120 minutos (recomendação);
- Manter paciente protegido com mantas e cobertores e infundir líquidos aquecidos;
- Se temperatura <36 Cº, iniciar instalação de manta térmica;
- Monitorar a temperatura na RPA e manter medidas terapêuticas em caso de hipotermia;
- Ofertar oxigênio suplementar em caso de tremor;

A instalação de manta térmica já no início do procedimento e mesmo sem hipotermia instalada justifica-se nos seguintes casos: 

- Neonatos e crianças abaixo de 06 anos ou idosos (acima de 60 anos)
- Procedimentos com duração maior que 120 minutos
- Tratamento do tremor intraoperatório ou hipotermia instalada (temp. menor ou igual a 36C°);
- Demais casos com justificativa médica, monitorização e registro da temperatura corpórea.


Top da Semana

Oxímetro de Pulso

oxímetro de pulso é um dispositivo médico que mensura indiretamente a quantidade de oxigênio que o sangue está transportando. Trata-se de uma monitorização não invasiva da saturação de oxigênio do sangue arterial.
O nível de oxigênio mensurado com um oxímetro é chamado de nível de saturaçãode oxigênio (abreviado como O2sat ou SaO2). A SaO2 é a porcentagem de oxigênio que seu sangue está transportando, comparada com o máximo da sua capacidade de transporte. O padrão de normalidade varia entre 90 - 100% de SpO2.


O Oxímetro substitui a necessidade de Gasometria Arterial?
O oxímetro mensura indiretamente a quantidade de oxigênio que é transportada pelo sangue, e não é invasivo. Já a gasometria arterial é um procedimento invasivo e mensura diretamente tanto a quantidade de oxigênio transportada pelo sangue quanto a de gás carbônico (dióxido de carbono). 
Material necessário para instalação do Oxímetro: Equipamento: Oxímetro de pulso;Sensor adulto ou infantil (permanente ou descartável);Álcool…

Cateter Venoso Central e os cuidados de Enfermagem

O cateter venoso central (CVC) é um sistema intravascular utilizado para administração de fármacos, infusão de derivados sanguíneos, nutrição parenteral, monitorização hemodinâmica, terapia renal substitutiva, entre outros. É um dispositivo que pode permanecer no paciente por longo período, minimizando o trauma associado às repetidas inserções de um cateter venoso periférico.

A cateterização venosa central é um procedimento amplamente utilizado em pacientes críticos, os quais demandam assistência à saúde de alta complexidade.
Os cuidados de enfermagem à pessoa com cateter venoso central exigem conhecimentos teórico-práticos indispensáveis para a correta manipulação e manutenção desse dispositivo, evitando complicações que poderão ser de enorme gravidade, retardando a recuperação ou mesmo, elevando as taxas de óbito, tanto de adultos como crianças.
Locais de inserção: As veias jugular interna, subclávia e femoral são as escolhidas para a inserção do CVC. Apesar de sua utilização em pacien…

Drenos e os cuidados de Enfermagem

Algumas cirurgias exigem a necessidade da colocação de drenos para facilitar o esvaziamento do ar e líquidos (sangue, secreções) acumulados na cavidade.
Dreno pode ser definido como um objeto de forma variada, produzido em materiais diversos, cuja finalidade é manter a saída de líquido de uma cavidade para o exterior.
As indicações para colocação de controle de drenos são específicas para cada tipo de dreno. 
Podem ser classificados em: 
- Dreno aberto, ex.: penrose; 
- Dreno de sucção fechada; 
- Dreno de reservatório; 
- Cateteres para drenagem de abscesso.



Dreno de Penrose 
É um dreno de borracha, tipo látex, utilizado em cirurgias que implicam em possível acúmulo local de líquidos infectados, ou não, no período pós-operatório. Seu orifício de passagem deve ser amplo e ser posicionado à menor distância da loja a ser drenada, não utilizando o dreno por meio da incisão cirúrgica e, sim, por meio de uma contraincisão. 
Para evitar depósitos de fibrina que possam obstruir seu lúmen, o dreno de p…

Cuidados com a Gastrostomia

Gastrostomia e jejunostomia são procedimentos cirúrgicos para a fixação de uma sonda alimentar. Um orifício criado artificialmente na altura do estômago ou na altura do jejuno, objetivando uma comunicação entre a cavidade do estômago e a parede do abdômen.
O alimento pode ser administrado por uma bomba infusora ou através de seringa (alimentação em bolus). O preparo e "porcionamento" da dieta terá que seguir rigorosamente a orientação dada pelo nutricionista ou nutrólogo.
A higiene é fundamental para minimizar a contaminação da dieta e consequentes complicações gastrointestinais. Antes do preparo da dieta, é necessário realizar a lavagem adequada das mãos, dos alimentos e de todo material que será utilizado, bem como dos utensílios e da bancada onde haverá a manipulação. Depois da lavagem, recomendamos friccionar álcool a 70% na bancada e utensílios.

Tipos de Curativos

Curativo: é o tratamento utilizado para promover a cicatrização da ferida, proporcionando um meio adequado para esse processo. A escolha do curativo depende do tipo de ferida.
Curativo ideal  - Manter alta umidade entre a ferida e o curativo;  - Remover o excesso de exsudação, evitando a maceração dos tecidos próximos; - Permitir a troca gasosa;  - Fornecer isolamento térmico;  - Ser impermeável as bactérias;  - Estar insento de substâncias tóxicas;  - Permitir sua retirada sem ocasionar lesão por aderência.


Tipos de Curativos  Existem, atualmente, muitos tipos de curativos, com formas e propriedades diferentes. É importante antes da realização do curativo, a avaliação da ferida e aplicação do tipo de curativo que melhor convier ao estágio que se encontra, a fim de facilitar a cura.
- Alginatos;  - Carvão Ativado; - Hidrocolóide; -  Hidrogel - Filmes;  -  Papaína;  -  Antissépticos;  -  Ácidos Graxos Essenciais
Alginatos: são indicados para feridas exsudativas, com sangramento, limpas ou infectadas, agud…