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Síndrome Paraneoplásica


Segundo definição do dicionário, Paraneoplásica pode ser entendida como: “Diz-se de manifestações patológicas, em especial dermatoses, ligadas a um câncer em evolução, mas não diretamente causadas pela proliferação das células malignas”. Já a palavra Neoplasia significa neo = novo + plasia = crescimento, ou seja, “novos crescimentos”. 




As neoplasias são descritas como uma massa anormal de tecido, cujo crescimento é excessivo, descontrolado e persistente, sendo mais conhecida como tumor. Uma neoplasia pode ser benigna ou maligna, sendo que um câncer é uma neoplasia maligna. 

A síndrome paraneoplásica consiste em um conjunto de sinais e sintomas, que antecedem ou ocorrem simultaneamente com a presença de uma neoplasia no organismo, não estando relacionada à metástase. O responsável por esta síndrome são os fatores humorais excretados por células tumorais ou por uma resposta à neoplasia.

Estes fenômenos incluem uma série de condições musculoesqueléticas, cutâneas, endocrinológicas, neurológicas, metabólicas ou hematológicas.

As síndromes paraneoplásicas são raras e, quando ocorrem, geralmente acompanham tumores de pulmão, mama, ovário e retroperitônio. Podem se manifestar de maneiras diversas, acometendo principalmente os sistemas neuromuscular, vascular, ósseo, articular e glandular. Estão relacionadas com a produção, pelo tumor maligno, de substâncias biologicamente ativas e podem preceder, até em anos, a fase clínica do tumor. É importante ressaltar que a síndrome paraneoplásica é fator agravante do prognóstico e que seu controle depende do controle do tumor.

Comumente há maiores incidência em indivíduos de meia-idade e idosos, sendo mais observada em pacientes que possuem câncer de pulmão, ovário, linfoma ou de mama. 

As manifestações clínicas incluem dificuldade de deglutição e deambulação, perda do tônus muscular, perda da coordenação motora fina, fala arrastada, perda de memória, problemas de visão, distúrbios do sono, demência, convulsões, perda de sensibilidade nos membros e tontura.

O objetivo da abordagem das síndromes paraneoplásicas é permitir o diagnóstico precoce da neoplasia, já que o tratamento do tumor é o principal tratamento do quadro neurológico para estabilizar o quadro clínico. As síndromes clínicas são inespecíficas e o diagnóstico diferencial da etiologia deve incluir a investigação das síndromes paraneoplásicas com a pesquisa de anticorpos antineuronais no soro ou no liquor. A detecção desses anticorpos por meio de uma pesquisa ampla por painéis permite o diagnóstico rápido e pode direcionar a conduta quanto à investigação e ao tratamento da neoplasia de base.

O diagnóstico é feito por meio de uma investigação minuciosa, que envolve exames laboratoriais com o intuito de investigar anticorpos paraneoplásicos, ressonância magnética e análise do líquido cefalorraquidiano. Além disso, é necessário fazer o diagnóstico diferencial.

Quando existente, é feito primeiramente o tratamento da neoplasia, com posterior tentativa de diminuição da resposta auto-imune, por meio da administração de cortisona ou prednisona, de imunoglobulina intravenosa, ou por irradiação. Além disso, pode ser realizada a plasmaferese, que pode auxiliar no alívio dos sintomas em indivíduos com a síndrome paraneoplásica afetando o sistema nervoso periférico. Fisioterapia e fonoaudiologia ajudam os pacientes a recuperarem algumas funções.

Os maiores avanços no controle e no diagnóstico das SPNs incluem a detecção de anticorpos antineuronais, a melhora na caracterização das principais síndromes e o uso da tomografia por emissão de pósitrons (PET) para o diagnóstico dos quadros clínicos em  tumores iniciais. Além disso, a definição de um critério diagnóstico facilitou o reconhecimento precoce e o tratamento desses quadros.


Esta síndrome pode dividir-se em quatro categorias principais, como mostra o quadro a seguir:


Categoria
Síndrome
Principal neoplasia associada
Mecanismo de ação
Endócrinas
·         Carcinoma pancreático
·         Tumores neurais
·         Timoma
ACTH ectópico e substâncias semelhantes ao ACTH
·         Neoplasias do CNS
·         Câncer de pulmão (células escamosas)
·         Carcinoma mamário
·         Carcinoma renal
·         Mieloma múltiplo
·         Leucemia de célula T/Linfoma
·         Carcinoma ovariano
PTHrP (Proteína relacionada ao hormônio paratireóideo), TGF-αTNFIL-1
·         Fibrosarcoma
·         Outros sarcomas mesenquimais
·         Insulinoma
·         Carcinoma hepatocelular
Insulina ou substâncias semelhantes à insulina ou "big" IGF-II
·         Adenoma bronquial (tipo carcinoide)
·         Carcinoma pancreático
·         Carcinoma gástrico
Ver síndromes paraneoplásicas hematológicas
·         Adenoma adrenal / Síndrome de Conn
·         Linfoma Não-Hodgkin
·         Carcinoma ovariano
Neurológicas
Imunológico
·         Neoplasia ovariana
·         Carcinoma mamário
Inflamação do cérebro e medula espinal
Opsoclonia-Mioclonia paraneoplásica
·         Carcinoma mamário
·         Carcinoma ovariano
·         Carcinoma pulmonar de células pequenas
·         Neuroblastoma (em crianças)
Reação autoimune contra a proteína RNA-binding Nova-1
·         Teratoma
Reação autoimune contra subunidades do receptor-NMDA
·         Linfoma Não-Hodgkin
·         Neoplasias pulmonares
·         Neoplasias de bexiga
Mucocutâneas
·         Carcinoma gástrico
·         Carcinoma pulmonar
·         Carcinoma uterino
·         Imunológico
·         Secreção de EGF
·         Carcinoma broncogênico
·         Carcinoma mamário
·         Neoplasia ovariana
·         Neoplasia pancreática
·         Neolasia estomacal
·         Neoplasia coloretal
·         Linfoma Não-Hodgkin
Imunológico
Hematológicas
·         Carcinoma renal
·         Hemangioma cerebelar
·         Carcinoma hepatocelular
·         Carcinoma pancreático
·         Carcinoma broncogênico
Mucinas que ativam a coagulação, outras
·         Neoplasias avançadas
·         Timomas
Desconhecido
Outras
·         Variados
·         Antígenos tumorais
·         Imunocomplexos
·         Hemangiopericitoma
·         Tumor mesenquimal fosfatúrico
·         FGF-23
·         Carcinoma renal




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