Convulsões – Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento


A convulsão ocorre quando há uma atividade elétrica anormal do cérebro, ou seja, há um aumento excessivo da atividade elétrica em determinadas áreas cerebrais. Essa atividade pode passar despercebida ou produzir uma alteração ou perda de consciência acompanhada de contrações musculares involuntárias em todo ou parte do corpo – definida como crise convulsiva ou convulsão. Clinicamente, as convulsões são caracterizadas por perda súbita da consciência, variam muito em duração e gravidade, são repentinas e podem  ocorrer uma única vez ou repetidamente. Crises recorrentes, normalmente caracterizam um quadro de epilepsia, embora possam ocorrer convulsões em pessoas que não sofrem desta condição médica.



Tipos

As convulsões podem ser:

Parciais ou focais – Ocorre quando apenas uma parte do hemisfério cerebral é atingida por uma descarga de impulsos elétricos desorganizados. São divididas em crises parciais simples, parciais complexas e aquelas que evoluem para crises generalizadas secundárias. A diferença entre as crises simples e complexas é que, durante crises parciais simples, há consciência; em crises parciais complexas, se perde a consciência.

As crises parciais simples são subdivididas em categorias de acordo com a natureza de seus sintomas: motor, autonômico, sensorial ou psicológica. Os sintomas motores incluem movimentos como espasmos e rigidez, os sensoriais envolvem sensações que afetam qualquer um dos cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar ou tato); os autonômicos afetam o sistema nervoso autônomo (controlam as funções dos nossos órgãos, como o coração, estômago, bexiga, intestinos). Crises parciais simples com sintomas psicológicos são caracterizadas por várias experiências envolvendo a memória (a sensação de déjà-vu), emoções (como o medo ou prazer), ou outros fenômenos psicológicos complexos.

Já as crises parciais complexas, por definição, incluem comprometimento da consciência. Pode haver sintomas chamados automatismos, que consistem em movimentos involuntários, mas coordenados, que tendem a ser sem propósito e repetitivo. Automatismos comuns incluem estalar os lábios, morder e se remexer.

O terceiro tipo de crise parcial é aquele que começa como uma crise focal e evolui para uma convulsão generalizada. Em cerca de dois terços dos pacientes com epilepsia parcial, convulsões as crises podem ser controladas com medicamentos. As crises parciais que não podem ser tratadas com as drogas podem muitas vezes ser tratadas cirurgicamente.

Generalizadas - quando os dois hemisférios cerebrais são afetados. Os dois tipos de convulsão generalizada mais comuns são: Crises de ausência (pequeno mal): poucos sintomas físicos, geralmente se manifestam deixando a pessoa com o olhar perdido por alguns segundos. Você não consegue chamar atenção da pessoa durante esse tempo e Tônico-clônicas (grande mal): tem associação com a perda súbita de consciência. A fase tônica de caracteriza por endurecimento dos músculos, já a fase clônica envolve movimentos repetitivos e rítmicos que envolvem ambos os lados do corpo ao mesmo tempo.



Causas

A maioria das convulsões ocorre em epilépticos e neles as crises são periódicas, crônicas e repetitivas. Também há situações em que a/as causas não podem ser diagnosticadas (idiopáticas). Para os que são passiveis de diagnostico, as causas prováveis, são: 

1) Febre alta em crianças com menos de cinco anos; 
2) Doenças como meningites, encefalites, tétano, tumores cerebrais, infecção pelo HIV, doenças cardíacas, epilepsia, etc; 
3) Traumas cranianos; 
4) Abstinência após uso prolongado de álcool e de outras drogas, ou efeito colateral de alguns medicamentos; 
5) Distúrbios metabólicos, como hipoglicemia, diabetes, insuficiência renal, etc; 
6) Falta de oxigenação no cérebro.

Sinais e Sintomas 

Os sinais e sintomas vão depender do tipo de convulsão, listamos aqui os principais:
  • Sentimentos súbitos de medo ou ansiedade;
  • Sentir-se mal do estômago;
  • Tontura;
  • Alterações na visão;
  • Perda brusca da consciência;
  • Queda desprotegida ao chão com possibilidade de se ferir;
  • Contrações musculares generalizadas que duram alguns segundos e torção da cabeça e dos olhos para um dos lados.
  • Atrito dos dentes em virtude de potentes contrações dos maxilares.
  • A língua torna-se flácida e pode cair para trás, impedindo a passagem do ar;
  • Emissão de um grito agudo no momento do desmaio, resultante da eliminação do ar retido nos pulmões;
  • Eliminação involuntária de urina;
  • Incapacidade de deglutir saliva, com acumulação da mesma na boca e eliminação dela sob a forma de “baba”;
  • Despertar confuso ou desorientado;
  • Completa amnésia do ocorrido;
  • Dor de cabeça e sensação de fadiga ao despertar;
  • Ter movimentos oculares rápidos e súbitos;
  • Fazer ruídos estranhos, como grunhidos.

Diagnostico e Tratamento

Para o diagnostico o médico deverá considerar o histórico completo e os eventos que levaram à convulsão. Além disso, é de grande valia para o diagnóstico e o tratamento observar as características das convulsões durante a crise e depois dela.
Durante a crise mancar a duração; se braços e pernas se contraem de um lado só ou dos dois lados; se olhos e boca ficam fechados ou abertos; se a cor da face se torna azulada. Se a pessoa responde aos chamados ou permanece inconsciente.

Já depois da crise e após as contrações musculares terminarem, observar se recuperação da consciência ou a pessoa permanece sonolenta; se fala e responde a perguntas; se lembra o que aconteceu; se a movimentação volta ao normal; se a dificuldade de movimentação se concentra de um lado só do corpo.
Exames de sangue para verificar se há desequilíbrio eletrolítico, punções lombares para afastar a suspeita de infecção e triagem toxicológica de teste de drogas venenos ou toxinas podem ser solicitados. Outros exames de grande valia no diagnostico são o eletroencefalograma, tomografia computadorizada e ressonância magnética do crânio, análise do líquor e vídeo eletroencefalograma.

No quesito tratamento, o risco de novas crises diminui nos pacientes com convulsões provocadas por álcool, drogas, pelo efeito colateral de alguns medicamentos e por distúrbios metabólicos, quando são retiradas essas substâncias ou corrigido o problema orgânico. Nos outros casos, existem vários medicamentos que devem ser indicados de acordo com o tipo de convulsão para evitar a recorrência e assegurar o controle das crises.

Primeiros socorros (O que fazer)

É comum se assustar ao se deparar com uma crise convulsiva e, em função disto, ficar temeroso em ajudar. No entanto, para aquele que sofre a convulsão a ajuda é de extrema importância, uma vez que durante o processo convulsivo o risco de lesões em função da perda brusca ou muito rápida da consciência e uma possível queda desprotegida ao chão é grande. Se você testemunhar uma convulsão, tente manter a calma e antes de qualquer coisa chame um serviço de emergência. 

O que durante a crise:

Tente evitar que a pessoa caia bruscamente ao chão;
Acomode o indivíduo em local sem objetos dos quais ela pode se debater e se machucar e utilize material macio para acomodar a cabeça do individuo;
Posicione a pessoa de lado de forma que, caso haja excesso de saliva ou vômito escorra para fora da boca;
Erga o queixo para facilitar a passagem do ar;
Não introduza nenhum objeto na boca nem tente puxar a língua para fora;
Afrouxe um pouco as roupas para que a pessoa respire melhor;
Retirar possíveis adereços e próteses que o paciente esteja usando, tendo o cuidado de não se ferir em uma eventual mordida do paciente;
Colocar uma proteção entre os dentes (ex: rolo de pano), evitando o ranger violento dos dentes ou mordedura da língua.
Medicações ou outras medidas terapêuticas só devem ser administradas com vistas a prevenir novas crises. E devem ser prescritas por um médico.

Após uma convulsão:

Verifique se a pessoa sofreu lesões
Se a pessoa está tendo dificuldade para respirar, use o dedo para limpar suavemente a boca de qualquer vômito ou saliva;
Não dê nada para ela comer ou beber até que a pessoa esteja totalmente acordada e alerta;
Fique com a pessoa até que ela esteja acordada e familiarizada com o ambiente. A maioria das pessoas vai ficar sonolenta ou confusa após uma convulsão;
Uma pessoa que teve uma convulsão não deve dirigir, nadar, subir escadas, ou operar máquinas até que tenha visto um médico;
Leve a pessoa a um serviço de saúde tão logo a convulsão tenha passado.

Nota: Convulsão não é sinônimo de epilepsia. Epilepsia é uma doença específica, que predispõe a pessoa a convulsões, mesmo na ausência de problemas como febre alta, pancadas na cabeça, derrames ou tumores cerebrais.