Pular para o conteúdo principal

Atuação do Enfermeiro diante do AVC (Acidente Vascular Cerebral)



Segundo LAVOR.I. G. de. et. al, 2011, o AVC, que é uma doença cerebrovascular, é a primeira causa de óbitos em adultos, e, no mundo, é a terceira causa de morte, sendo superado apenas por neoplasias e doenças cardiovasculares. O AVC é um grande problema de saúde pública mundial que tem ainda um longo caminho a se percorrer para que se consiga amenizar suas conseqüências na população, apesar das conquistas e do crescente avanço da medicina, com tecnologia de ponta e alta complexidade do sistema hospitalar. Segundo o mesmo, ainda há uma carência no setor primário que necessita do enfoque em programas de prevenção como medida para diminuir a prevalência de doenças como AVC.
O termo Acidente Vascular Cerebral, também conhecido como ‘derrame’, significa o comprometimento súbito da função cerebral por inúmeras alterações histopatológicas que envolvem um ou vários vasos sanguíneos intracranianos ou extracranianos. 

Acidente vascular cerebral (AVC) é uma síndrome neurológica frequente em adultos, sendo uma das maiores causas de morbi - mortalidade em todo o mundo. No Brasil, apesar do declínio nas taxas de mortalidade, ainda é a principal causa de morte. A incidência de AVC dobra a cada década após os 55 anos, ocupando posição de destaque entre a população idosa. A prevalência mundial na população geral é estimada em 0,5% a 0,7%. Além de elevada mortalidade, a maioria dos sobreviventes apresenta sequelas, com limitação da atividade física e intelectual e elevado custo social. Esses dados nos remetem a uma reflexão a respeito do grande impacto.


Dentre as doenças do aparelho circulatório, o acidente vascular cerebral (AVC) é um dos problemas neurológicos mais prevalentes entre os idosos. É a terceira causa mais comum de morte nos países desenvolvidos. Aproximadamente 20% dos pacientes que sofrem AVC falecem dentro de um mês, após o evento; cerca de 50% dos sobreviventes apresentam incapacidades permanentes e significantes, que requerem assistência e supervisão; e os outros 30% apresentam déficits neurológicos, mas são capazes de viver independentes .

Atualmente   o AVC virou um grande desafio para os profissionais de saúde, principalmente pela dificuldade em prevenir sua ocorrência. Entretanto o trabalho de prevenção dos fatores de risco mostra-se bastante eficaz  nos últimos anos nos Estados Unidos, houve uma redução global na incidência de AVC, graças ao melhor controle dos fatores de risco associados à gênese dos distúrbios circulatórios cerebrais.

INCIDÊNCIA  ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL (AVC)

No ano de 1999, o número de mortes por AVC em todo o mundo foi de 5,54 milhões, e 2/3 dessas mortes ocorreram em países menos desenvolvidos (7). Projeções sugerem que, sem intervenção, o número de mortes por AVC aumentará para 6,3 milhões em 2015 e 7,8 milhões em 2030.

Por provocar sequelas e limitações relevantes nos pacientes sobreviventes, o AVC é a primeira causa de incapacitação funcional no mundo ocidental. Sua prevalência mundial na população geral é em torno de 0,5 a 0,7%(2). A população sobrevivente representa aproximadamente 50% e necessita da supervisão de enfermagem após a alta hospitalar, principalmente na Atenção Básica, em que orientações e assistência são necessárias para que consiga se adaptar ao novo estilo de vida imposto pela doença. Por outro lado, cerca de 20% dos pacientes que tiveram AVC falecem em um mês e os outros 30% passam pelo evento, sobrevivem com alguns déficits neurológicos, mas ainda conseguem viver de forma independente.

Estatísticas apontam que cerca de dois milhões de pessoas que sobreviveram ao AVC permanecem com alguma incapacidade; destas, 40% necessitam de assistência nas atividades  da vida diária. Após o período de internação hospitalar, o idoso que sofreu AVC pode retornar ao lar com sequelas  físicas e cognitivas- comportamentais que comprometem a capacidade funcional, a independência e a autonomia e também podem ter efeitos sociais e econômicos que invadem todos os aspectos da vida.



FATORES DE RISCO DO AVC
  • Idade;
  • sexo;
  • o grupo étnico,
  • predisposição genética,
  • hipertensão arterial,
  • patologias cardíacas,
  • hemopatias,
  • diabettes mellitus,
  • dislipidemia,
  • tabagismo,
  • aumento da homocisteína plasmática,
  • bebidas alcoólicas,
  • sedentarismo,
  • anticoncepcionais,
  • drogas ilícitas.

TIPOS DE AVC

AVC isquêmico: Também conhecido como trombose, é a dificuldade do sangue se movimentar no cérebro por causa da formação de pequenos pedaços de: sangue, gordura ou bactérias que vão entupir um vaso.

AVC hemorrágico: Acontece quando o vaso se abre e o sangramento vai imprensar o cérebro e os vasos, então o sangue não vai se movimentar como deveria. É comumente chamado de derrame.

Entretanto o Acidente vascular isquêmico: tipo mais comum de AVC é causado pela interrupção no fluxo de sangue em uma região específica do cérebro. A falta de sangue, que também é responsável por levar oxigênio aos tecidos, causa danos às funções neurológicas e pode paralisar temporariamente o paciente, conhecido como isquemia cerebral ou derrame, o acidente vascular isquêmico é responsável por cerca de 87% dos AVCs .

CUIDADOS DE ENFERMAGEM AO PACIENTE COM AVC

Diante das inúmeras manifestações clínicas provenientes do AVC, a equipe de saúde, em especial o enfermeiro, tem o dever de planejar e implementar um plano de cuidados que contemple todas as necessidades apresentadas pelo paciente e colabore com a sua reabilitação. Vale ressaltar que a assistência de enfermagem prestada ao paciente acometido por AVC não deve ser direcionada somente a ele. A família também precisa ser alvo dos cuidados, uma vez que o envolvimento dos familiares no processo de recuperação pode interferir positivamente na saúde do paciente.

É de competência do enfermeiro ainda promover atividades educativas e ações que garantam a integralidade do ser humano na atenção à saúde, evidencias e a importante contribuição da saúde do adulto.

Cabe ao enfermeiro da reabilitação: o desenvolvimento de um processo interacional e transdisciplinar que favoreça o planejamento; implementação e avaliação de medidas terapêuticas de enfermagem voltadas para a educação e promoção da saúde com enfoque no autocuidado; proporcionar o envolvimento e a participação ativa e sistemática do cliente, família e pessoas significativas em relação aos cuidados a serem desempenhados em casa.

Os enfermeiros enfatizam que os pacientes em unidades de cuidados neurointensivo necessitam de um monitoramento das funções fisiológicas (14). A avaliação inicial do paciente na emergência é realizada pelo enfermeiro e deve enfocar a avaliação das vias aéreas, circulação, respiração e sinais vitais a cada 30 minutos e exame neurológico. Portanto, o enfermeiro deve ser capaz de reconhecer os sintomas neurológicos que sugerem AVE e rapidamente analisar o tempo inicial dos sintomas. Um dos métodos para o exame neurológico, em especial, para a avaliação do uso do trombolítico, é a escala de AVE da National Institutes of Health (NHSS)

O enfermeiro, como o líder da equipe de enfermagem, desenvolve atividades gerenciais. Este, além de coordenar a equipe de enfermagem, tem a função, dentro da equipe multi disciplinar, de avaliar as necessidades do paciente e seus familiares, prover os recursos necessários para implementação dos cuidados prestados ao paciente e facilitar as transições no atendimento, buscando resultados que evidenciam um cuidado de qualidade.

É possível afirma que a Enfermagem em Saúde do Adulto contribui para a consolidação do SUS através da promoção da saúde em sua prática cotidiana. Observa-se que dentro da equipe multidisciplinar  o enfermeiro  é o profissional da saúde capaz efetivar os princípios e diretrizes da universalidade, integralidade, equidade, participação social; além de ofertar diferentes campos profissionais e em diferentes níveis de atuação.



Contribuiu com este Artigo:



Veridyana Márcia Silva Valverde
Enfermeira graduada pela Universidade Anhanguera de Taboão da Serra-SP,cursando  Especialização em  Urgência e Emergência em Enfermagem & Docência em Enfermagem, pela Faculdade Venda Nova Bandeirante (FAVENI), voluntária no Programa da Escola da Família Veija Júnior aos finais de semana na cidade de Iguape-SP, palestrante sobre diversos temas que envolve a saúde.| Linkedin




REFERÊNCIAS

LAVOR.I. G. de. et. al. 2011. Perfil dos Casos de Acidente Vascular Cerebral Resgistrados em uma Instituição Pública de Saúde em Campina Grande- PB.. Publicado em : < http://revistatema.facisa.edu.br/index.php/revistatema/article/viewFile/88/105 >. Acesso em 14. Out. 2017.

PEREIRA. A.B.C.N.da.G. et. al , 2009. Prevalência de acidente vascular cerebral em idosos no Município de Vassouras, Rio de Janeiro, Brasil, através do rastreamento de dados do Programa Saúde da Família.Publicado em : < http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2009000900007 >. Acesso em 14. Out. 2017.

MAKIYAMA. T.Y. et. al , 2004. Estudo sobre a qualidade de vida de pacientes hemiplégicos por acidente vascular cerebral e de seus cuidadores.Publicado em : < file:///C:/Users/Tech/Downloads/102489-178980-1-SM.pdf >. Acesso em 15. Out . 2017.

PEREIRA.A.R. et. al,  2012.Sobrecarga dos cuidadores de idosos com acidente vascular cerebral. Publicado em : < http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v47n1/a23v47n1 >. Acesso em 15. out. 2017.

MARQUES.S. et. al , 2006.  Idoso Após Acidente Vascular Cerebra: Alterações no Relacionamento Familiar. Publicado em : < http://www.redalyc.org/html/2814/281421862009/ > . Acesso em 14. Out. 2017.

ALVES.M.J. et. al,  2013. Acidente Vascular Cerebral Isquêmico: uma emergência para a enfermagem. Publicado em : < http://www.cpgls.pucgoias.edu.br/8mostra/Artigos/SAUDE%20E%20BIOLOGICAS/Acidente%20Vascular%20Cerebral%20Isqu%C3%AAmico%20uma%20emerg%C3%AAncia%20para%20a%20enfermagem.pdf >. Acesso em 16. Out. 2017.

CHAGAS.N.R & MONTEIRO. A.R.M ,2004. Educação em saúde e família: o cuidado ao paciente, vítima de acidente vascular cerebral. Publicado em : < http://ojs.uem.br/ojs/index.php/ActaSciHealthSci/article/view/1663/1073 > . Acesso em 16. Out. 2017. 

SENNA.M  & GOMES.S.R, 2008. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM À PESSOA COM ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL. Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal. Publicado em : < http://www.redalyc.org/html/4836/483648979008/ >. Acesso em 17. out. 2017.

Jornal Estadão de São Paulo, 2012.Conheça os tipos de AVC. Publicado em : < http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,conheca-os-tipos-de-avc,966513 > . Acesso em 17. Out. 2017.

CAVALCANTE. T.F. et. al, 2011.Intervenções de enfermagem aos pacientes com acidente vascular encefálico: uma revisão integrativa de literatura. Publicado em : < http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v45n6/v45n6a31.pdf >. Acesso em 18. Out. 2017.

IMAGEM:  http://revistavivasaude.uol.com.br/clinica-geral/9-formas-de-reconhecer-os-sintomas-do-avc/6678/ 



Top da Semana

Oxímetro de Pulso

oxímetro de pulso é um dispositivo médico que mensura indiretamente a quantidade de oxigênio que o sangue está transportando. Trata-se de uma monitorização não invasiva da saturação de oxigênio do sangue arterial.
O nível de oxigênio mensurado com um oxímetro é chamado de nível de saturaçãode oxigênio (abreviado como O2sat ou SaO2). A SaO2 é a porcentagem de oxigênio que seu sangue está transportando, comparada com o máximo da sua capacidade de transporte. O padrão de normalidade varia entre 90 - 100% de SpO2.


O Oxímetro substitui a necessidade de Gasometria Arterial?
O oxímetro mensura indiretamente a quantidade de oxigênio que é transportada pelo sangue, e não é invasivo. Já a gasometria arterial é um procedimento invasivo e mensura diretamente tanto a quantidade de oxigênio transportada pelo sangue quanto a de gás carbônico (dióxido de carbono). 
Material necessário para instalação do Oxímetro: Equipamento: Oxímetro de pulso;Sensor adulto ou infantil (permanente ou descartável);Álcool…

Cateter Venoso Central e os cuidados de Enfermagem

O cateter venoso central (CVC) é um sistema intravascular utilizado para administração de fármacos, infusão de derivados sanguíneos, nutrição parenteral, monitorização hemodinâmica, terapia renal substitutiva, entre outros. É um dispositivo que pode permanecer no paciente por longo período, minimizando o trauma associado às repetidas inserções de um cateter venoso periférico.

A cateterização venosa central é um procedimento amplamente utilizado em pacientes críticos, os quais demandam assistência à saúde de alta complexidade.
Os cuidados de enfermagem à pessoa com cateter venoso central exigem conhecimentos teórico-práticos indispensáveis para a correta manipulação e manutenção desse dispositivo, evitando complicações que poderão ser de enorme gravidade, retardando a recuperação ou mesmo, elevando as taxas de óbito, tanto de adultos como crianças.
Locais de inserção: As veias jugular interna, subclávia e femoral são as escolhidas para a inserção do CVC. Apesar de sua utilização em pacien…

Drenos e os cuidados de Enfermagem

Algumas cirurgias exigem a necessidade da colocação de drenos para facilitar o esvaziamento do ar e líquidos (sangue, secreções) acumulados na cavidade.
Dreno pode ser definido como um objeto de forma variada, produzido em materiais diversos, cuja finalidade é manter a saída de líquido de uma cavidade para o exterior.
As indicações para colocação de controle de drenos são específicas para cada tipo de dreno. 
Podem ser classificados em: 
- Dreno aberto, ex.: penrose; 
- Dreno de sucção fechada; 
- Dreno de reservatório; 
- Cateteres para drenagem de abscesso.



Dreno de Penrose 
É um dreno de borracha, tipo látex, utilizado em cirurgias que implicam em possível acúmulo local de líquidos infectados, ou não, no período pós-operatório. Seu orifício de passagem deve ser amplo e ser posicionado à menor distância da loja a ser drenada, não utilizando o dreno por meio da incisão cirúrgica e, sim, por meio de uma contraincisão. 
Para evitar depósitos de fibrina que possam obstruir seu lúmen, o dreno de p…

Cuidados com a Gastrostomia

Gastrostomia e jejunostomia são procedimentos cirúrgicos para a fixação de uma sonda alimentar. Um orifício criado artificialmente na altura do estômago ou na altura do jejuno, objetivando uma comunicação entre a cavidade do estômago e a parede do abdômen.
O alimento pode ser administrado por uma bomba infusora ou através de seringa (alimentação em bolus). O preparo e "porcionamento" da dieta terá que seguir rigorosamente a orientação dada pelo nutricionista ou nutrólogo.
A higiene é fundamental para minimizar a contaminação da dieta e consequentes complicações gastrointestinais. Antes do preparo da dieta, é necessário realizar a lavagem adequada das mãos, dos alimentos e de todo material que será utilizado, bem como dos utensílios e da bancada onde haverá a manipulação. Depois da lavagem, recomendamos friccionar álcool a 70% na bancada e utensílios.

Tipos de Curativos

Curativo: é o tratamento utilizado para promover a cicatrização da ferida, proporcionando um meio adequado para esse processo. A escolha do curativo depende do tipo de ferida.
Curativo ideal  - Manter alta umidade entre a ferida e o curativo;  - Remover o excesso de exsudação, evitando a maceração dos tecidos próximos; - Permitir a troca gasosa;  - Fornecer isolamento térmico;  - Ser impermeável as bactérias;  - Estar insento de substâncias tóxicas;  - Permitir sua retirada sem ocasionar lesão por aderência.


Tipos de Curativos  Existem, atualmente, muitos tipos de curativos, com formas e propriedades diferentes. É importante antes da realização do curativo, a avaliação da ferida e aplicação do tipo de curativo que melhor convier ao estágio que se encontra, a fim de facilitar a cura.
- Alginatos;  - Carvão Ativado; - Hidrocolóide; -  Hidrogel - Filmes;  -  Papaína;  -  Antissépticos;  -  Ácidos Graxos Essenciais
Alginatos: são indicados para feridas exsudativas, com sangramento, limpas ou infectadas, agud…