Manejo ao Paciente Queimado


As QUEIMADURAS representam as principais causas externas de morte registradas no Brasil. Os afogamentos e as queimaduras representam como a primeira causa de morte entre as crianças. (MASCARENHAS et al., 2011).

Atualmente no Brasil, dois terços dos acidentes por queimaduras são protagonizados por crianças, sendo que tendem a conviver com as sequelas, sejam elas estéticas ou funcionais. LEONARDI; NAZARIO (2012) ressaltam que 80,7% dos casos de queimadura na infância tinham um dos pais presentes no momento do acidente, mas não estavam em alerta.

O quadro a seguir mostra as prevalências de mortes por queimaduras no Brasil, no ano de 2011.



Segundo Brunner e Suddarth (2015), a lesão é causada pela transferência de calor de uma fonte térmica para o corpo, por exposição a determinadas substâncias químicas ou por exposição à radiação. No entanto, os tecidos corporais são danificados, acarretando a morte celular.

A gravidade de uma queimadura não se mede pelo grau de lesão, mas pelo comprometimento de área atingida. As queimaduras podem ser classificadas quanto ao agente causador e quanto à profundidade das lesões (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, 2008b).

Quanto ao agente causador podem ser: química, térmica, elétrica, ionizante e radiação, biológica e por atrito e fricção.

Quanto ao grau das lesões: 1º, 2º e 3º graus, sendo que algumas literaturas trazem 4º grau.

Observação: a complexidade de uma queimadura é avaliada pela associação entre agente causador, tipo de queimadura e extensão da área queimada, assim como o acometimento de algumas áreas corpo¬rais específicas: pequeno, médio e grande queimado (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, 2008b, UFSC, 2014).

ATENDIMENTO DO PACIENTE QUEIMADO
O atendimento, no suporte básico de vida, requer proteção e manutenção da permeabilidade de vias aéreas, assistência ventilatória e cardiovascular, além do atendimento às lesões associadas, como, por exemplo, queimaduras ou traumas, comuns em vítimas intoxicadas em incêndios. 

O atendimento, em tempo OPORTUNO, pode diminuir possíveis complicações e a morbidade e mortalidade. 

Identificar as condições que colocam a vida em risco é de grande valia para o prognóstico e sobrevida do paciente; e seguir com a identificação do tipo de queimadura, extensão e profundidade e também iniciar o tratamento da queimadura, evitando a progressão da lesão e contaminação da mesma.

Observação: É necessário averiguar e identificar se a substância que provocou a queimadura, não está sobre a pessoa, se confirmado, deve se proteger e iniciar a interrupção do processo de queimadura (UFSC, 2014).

CUIDADOS
Resfriamento da área queimada
Deve ser realizada até 15 minutos após o acidente, se não for usado esse critério, não será uma medida útil. O resfriamento é realizado por meio de compressas embebidas em soro fisiológico a 0.9% (SF 0,9%) ou água a temperatura ambiente.

Avaliação primária 
O processo de avaliação é baseado nos princípios do “Advanced Trauma Life Support” (ATLS) que estabelece como norma de conduta a metodologia mnemônica do ABCDE. 

SITUAÇÃO VERMELHA – ATENDIMENTO IMEDIATO 
A) “Airway”: preservação da via aérea com controle da coluna cervical 
B) “Breathing”: boa ventilação 
C) “Circulation”: boa perfusão 
D) “Disability”: exame neurológico 
E) “Exposition”: exposição do paciente (com controle ambiental)

Avaliação Secundária
Destina-se a aprofundar na anamnese e no exame físico do paciente, fornecendo apoio e norteando para a reclassificação e o tratamento adequado com às situações encontradas.

Reposição volêmica 
Será necessário um acesso venoso permeável e seguro, para aqueles que necessitarem de reposição volêmica. O líquido da infusão de escolha é o Ringer Lactato.

Analgesia e sedação
É recomendado anti-inflamatórios não hormonais para os pequenos queimados, já  para os pacientes médios e grandes queimados e pela intensidade da dor, deve ser considerada a aplicação de opioide. 

Conforme Brunner e Suddart (2015), as medidas relacionadas com o manejo de queimaduras consistem em prevenção, avaliação da gravidade da queimadura, instituição de medidas para salvar a vida do indivíduo gravemente queimado, prevenção de incapacidade e desfiguração e reabilitação.

Intervenções de Enfermagem:

TROCA GASOSA
  • Fornecer oxigênio umidificado e monitorar gasometria arterial (GA), oximetria de pulso e níveis de carboxiemoglobina.
  • Relatar imediatamente ao médico as respirações laboriosas, a profundidade diminuída das respirações ou sinais de hipoxia; preparar para ajudar na intubação.
FUNÇÃO HEMODINÂMICA
  • Instituir o monitoramento eletrocardiográfico com base nos resultados da avaliação inicial.
  • Avaliar, com frequência, os pulsos periféricos distalmente à queimadura.
EQUILÍBRIO HIDRELETROLÍTICO
  • Monitorar os sinais vitais e o débito urinário (a cada hora), PVC, pressão da artéria pulmonar e débito cardíaco. Observar e registrar sinais de hipovolemia ou sobrecarga hídrica
  • Manter os acessos IV e líquidos regulares nas velocidades adequadas, conforme prescrição. Documentar o equilíbrio hídrico e pesar diariamente o cliente (se possível.
  • Elevar Cabeceira do leito.
MANUTENÇÃO DA TEMPERATURA CORPORAL NORMAL
  • Fornecer ambiente aquecido: uso de escudo térmico, cobertor suspenso, lâmpadas de aquecimento ou cobertores
  • Medir com frequência a temperatura corporal central
  • PREVENÇÃO DA INFECÇÃO
  • Colocar lençóis limpos embaixo e em cima do cliente para proteger a ferida de contaminação, manter a temperatura corporal e reduzir a dor do tecido queimado causada por correntes de ar.
MINIMIZAÇÃO DA DOR E DA ANSIEDADE
  • Usar escala de intensidade da dor para avaliar o nível de dor (e., de 1 a 10); diferenciar a inquietação causada pela dor da inquietação provocada por hipóxia
  • Administrar analgésicos opioides IV, conforme prescrição, e avaliar a resposta ao medicamento; observar a ocorrência de depressão respiratória em clientes que não estão sob ventilação mecânica.
MONITORAMENTO E MANEJO DAS COMPLICAÇÕES POTENCIAIS
Insuficiência Respiratória, choque distributivo, insuficiência renal aguda, síndrome compartimental, íleo paralítico, úlcera de curling.

“Devido a extensão do conteúdo, indico a leitura do Brunner & Suddarth, Manual de enfermagem médico-cirúrgica, 2015, pg. 971 & do material sobre queimaduras da Universidade Federal de Santa Catarina em www.unasus.ufsc.br.

Contribuiu com este Artigo:






Mateus Henrique Dias Guimarães




REFERÊNCIAS

BRASIL, M. S. Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM. Datasus: W00-X59 Outras causas externas de lesões acidentais. Disponível em: < http://www.abraspea.org.br/pdf_docs/anexos%20alcool%20estatisticas%20do%20datasus.pdf>. 

Brunner & Suddarth, Manual de enfermagem médico-cirúrgica / revisão técnica Sonia Regina de Souza; tradução Patricia Lydie Voeux. – 13. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. Queimaduras, p.971.
LEONARDI, D. F.; NAZÁRIO, N. O. Queimaduras especiais: elétricas e químicas. In:________. Quei¬maduras: Atendimento Pré-Hospitalar. Palhoça: Unisul. 2012.

MASCARENHAS, M.D.M. et al. Epidemiologia das causa externa no Brasil: mortalidade por aciden¬tes e violência no período de 2000 a 2009. In: Brasil. Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2010: uma análise da situação de saúde e de evidências selecionadas de impacto de ações de vigilância em saúde Secretaria de Vigilância e Saúde. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2011.

Queimaduras / Universidade Federal de Santa Catarina; Organizadores: Nazaré Otília Nazário; Dilmar Francisco Leonardi e Cesar Augusto Soares Nitschke — Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2014.29 p. Modo de acesso: www.unasus.ufsc.br