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Como realizar troca do Selo d’Água do frasco coletor do Dreno de Tórax


O tórax humano possui três compartimentos: o mediastino, a cavidade pleural direita e a cavidade pleural esquerda. As membranas pleurais envolvem os pulmões e revestem a parede torácica. A pleura parietal (aderida as estruturas da parede do tórax) reveste a parede torácica e a pleura visceral (aderida ao tecido pulmonar) apõe-se ao parênquima pulmonar.

No pequeno espaço entre as duas pleuras, aloja-se uma fina camada do líquido seroso que permite o deslizamento das pleuras parietal e visceral (uma sobre a outra) durante a inspiração e expiração.

Expansão Pulmonar
A pressão dentro do espaço pleural é chamada de pressão intrapleural e via de regra é menor que as pressões dentro do pulmão. É essa pressão negativa que mantém os pulmões insuflados. Se o espaço intrapleural perde a pressão negativa, o pulmão colaba, uma condição conhecida como pneumotórax. Também pode haver acúmulo de líquido.

Drenagem de tórax
A drenagem torácica restabelece a pressão negativa pulmonar, remove ar ou líquidos do espaço pleural, permite a expansão pulmonar e impede que o refluxo do material drenado volte ao tórax.
É necessário a instalação de dreno selado, que impede a entrada de ar (de fora) para restabelecer a pressão negativa intrapleural.

O sistema de drenagem mais popular utilizado, é o sistema de câmara única – que é composto por um frasco com tampa vedada que tem duas aberturas:
- Uma para saída de ar e a outra permite a passagem de um tubo que se estende quase até o fundo do frasco. 
- A água estéril é colocada no frasco até que a ponta do tubo rígido esteja submersa 2cm. Isso cria uma vedação aquática fechando o sistema de ar externo.
Leia Também: 
Cuidados de Enfermagem ao paciente submetido à drenagem de tórax

Competência para retirada do dreno de tórax, troca de selo d'água e curativo:
Os cuidados com o dreno de tórax são de responsabilidade da equipe de enfermagem. Com relação a ordenha e a troca do selo d'água do frasco coletor de drenagem torácica, poderão ser realizadas pela equipe de enfermagem sob a supervisão do enfermeiro. Já a retirada do dreno, quando prescrito, o enfermeiro é o membro desta equipe responsável por sua retirada (conforme PARECER Nº 001/2016/ COFEN).

TROCA DO SELO D’ÁGUA DO FRASCO COLETOR DO DRENO DE TÓRAX
Consiste no procedimento de troca do conteúdo drenado e/ou selo d’água do frasco coletor do dreno de tórax Finalidade:

Controlar a substância secretada quanto a volume, aspecto e prevenir infecções

Materiais necessários:
Bandeja contendo:
  • 01 par de luvas de procedimento não estéril;
  • Óculos de proteção e máscara;
  • Fita adesiva;
  • 01 cálice graduado;
  • 01 frasco de água destilada (500 ml);
  • Caneta e etiqueta para identificação.
  • Descrição do procedimento:
  • Higienizar as mãos;
  • Reunir o material e levá-lo;
  • Checar o nome e leito do paciente;
  • Orientar o cliente quanto ao procedimento;
  • Dispor o material sobre mesa auxiliar ou carrinho de curativo;
  • Colocar óculos de proteção e máscara cirúrgica descartável;
  • Calçar as luvas de procedimento não estéril;
  • Posicionar o cálice graduado sobre a mesa auxiliar/carrinho de curativo
  • Abrir o frasco de água destilada e inserir o dispositivo de transferência de
  • volume (Transofix ou agulha de grande calibre);
  • Após observar a oscilação do dreno de tórax na extensão, fechar o clamp da extensão;
  • Soltar o frasco de drenagem da fixação da cama, abrir a tampa e segurá-la firmemente com cuidado para não contaminar sua parte interna;
  • Desprezar o conteúdo do dreno no cálice graduado e observar a quantidade e aspecto do volume drenado;
  • Colocar parte da água destilada no frasco, agitar levemente para remover micropartículas ou sujidades e desprezar a água com resíduos no cálice graduado;
  • Colocar água destilada no frasco coletor até assegurar a imersão de 2 cm da extremidade do dreno (aproximadamente 500 ml) e fechar a tampa com cuidado;
  • Proceder a identificação do volume do selo d’água com a fita adesiva na posição vertical, ao lado da graduação contida no frasco de drenagem;
  • Retirar as luvas de procedimento e fazer a etiqueta de identificação do frasco (com data, hora, solução utilizada, volume contido e nome do profissional que executou o procedimento) e na régua de controle do volume do selo d’água, marcando com um risco o nível de água;
  • Fixar o frasco no leito, evitando a formação de alças ou acotovelamentos da extensão, protegendo o frasco de quedas;
  • Abrir o clamp da extensão do dreno de tórax;
  • Organizar a unidade e os materiais utilizados;
  • Higienizar as mãos;
  • Realizar a anotação de enfermagem do procedimento executado.
OBSERVAÇÕES: avaliar a oscilação do líquido na extensão e o selo d’água do frasco coletor; avaliar o débito e aspecto da secreção drenada e o padrão respiratório do paciente. Cuidados para evitar o tracionamento e remoção acidental do dreno.

Cuidados no Transporte
Cuidado na passagem entre macas, pois o dreno pode ficar preso e/ou ser arrancado;
Atenção para que a extremidade do sistema de drenagem não fique fora d’água;
Não ocluir o dreno durante o transporte.

Critérios para retirada do Dreno de Tórax
Drenagem inferior a 100 mL/24 horas (adulto);
Líquido seroso;
Ausência de bolhas de ar;
Melhora do padrão respiratório e da expansibilidade pulmonar.

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