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A biossegurança nas Pesquisas


A Biossegurança compreende um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, mitigar ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam interferir ou comprometer a qualidade de vida, a saúde humana e o meio ambiente (BRASIL).

Nesse sentido a Biossegurança é tratada pela Comissão de Biossegurança em Saúde (CBS) cujo objetivo é definir estratégias de atuação, avaliação e acompanhamento das ações ligadas à Biossegurança de forma a ter o melhor entendimento entre o Ministério da Saúde com órgãos e entidades relacionadas ao tema. (BRASIL).

Sendo assim e imprescindível considerar os cuidados quando lidar com agentes biológicos de alto risco - isto é, altamente transmissíveis e letais, o que depende de uma gestão em saúde  publica o que vem implicar direto nos  cuidados com  a saúde e o bem-estar da população através de prevenção de riscos e a mitigação de efeitos das crises que se originam na interface entre humanos, animais e o meio  ambiente.


Dando continuidade trata-se de uma colaboração  entre as áreas  que vem impactar direto ou indireto sobre a saúde, otimizando recursos  e esforços respeitando a autonomia dos diversos setores. A saúde pública é a ciência de melhorar e proteger a saúde através da promoção de estilos de vida saudáveis, pesquisando a prevenção de doenças e lesões, e a detecção e controle de doenças infecciosas. 

Nesse contexto existe uma preocupação em proteger a saúde de populações inteiras, de um nível global a regiões, nações, comunidades, famílias e, finalmente, impactando os indivíduos. As medidas de saúde pública destinam-se principalmente à prevenção de doenças e lesões, e não apenas ao reconhecimento, diagnóstico e tratamento da doença. 

Por outro lado uma parcela significativa do trabalho de saúde pública está alinhada com a proteção à saúde, particularmente medidas de saúde que diminuem o impacto e aumentam a resiliência a ameaças importantes, como doenças infecciosas emergentes e outros riscos a que a população se expõe.
No entanto, outras agências externas à saúde, como defesa, serviços de emergência e aplicação da lei, também são responsáveis pela Biossegurança principalmente em laboratórios onde agentes biológicos de alto risco são manuseados, pesquisados ou armazenados.



Desta forma Biossegurança é um termo que engloba as ações, sistemas e políticas que protegem os seres humanos da exposição a agentes biológicos nocivos, é é necessário adoção de sistemas e adequações com o avanço das tecnologias para pesquisas com agentes de alto risco, e como é do conhecimento de todos exige a cooperação de uma ampla gama de especialistas, como cientistas, formuladores de políticas, engenheiros de segurança e agentes da lei.

Partindo dessa idéia o uso de equipamentos de proteção individual, sistemas de contenção física de laboratório e técnicas de descontaminação são componentes bem conhecidos de alguns sistemas de Biossegurança. É muito claro que existe a necessidade de desenvolver uma política nacional no planejamento da segurança e entre todas as agências relevantes e departamentos que lidam com setores de questões de Biossegurança.

Vale enfatizar que ainda existem empecilhos quando do convencimento e da vontade política dos tomadores de decisão os benefícios da Biossegurança para a saúde pública e a economia nacional concedendo esse apoio até porque sabe-se que nos países em desenvolvimento esse sistema ainda não é uma prioridade no nível governamental.

Nesse sentido o gerenciamento de risco, quando reconhecer os perigos dos agentes biológicos e planejar estratégias para reduzir o risco para os seres humanos, o próprio processo clinico pois existe a necessidade de aconselhamento especializado na criação de protocolos técnicas e procedimentos apropriados na condução de certas pesquisas devido aos agentes biológicos de alto risco, o desenvolvimento,  a logística é outra área importantíssima para elaboração de estratégias para  utilização dos recursos do sistema e pronta resposta a possíveis eventos como surtos e as decisões pois não podemos esquecer a ética envolvida também na Biossegurança.

A importância desse raciocino nos faz lembrar que algumas instituições já começam a ensinar princípios de Biossegurança nos níveis também de graduação na área da saúde, pois sabemos que existe cursos de especialização e atualização em Biossegurança. Além disso, existe um grande esforço para aumentar a consciência entre os tecnólogos e técnicos em todos os setores, isso definitivamente melhorou o nível de Biossegurança especialmente em hospitais e laboratórios de pesquisa.

Sendo assim desenvolver qualquer trabalho na área de pesquisas com biológicos requer imunização já que esse profissional está exposto a doenças evitáveis e poderá infectar outras pessoas e o ambiente precisa estar livre de contaminação, até porque deverá também ser verificado a imunogenicidade Mayer, dos envolvidos para que se caracterize até que ponto esses indivíduos são considerados protegidos para determinado trabalho.

Nesse contexto lembramos o avanço da biotecnologia combinando disciplinas biológicas como genética, biologia molecular, bioquímica, embriologia, biologia celular, com disciplinas técnicas como engenharia química, tecnologia da informação e robótica, o que vem requerer a importância da Biossegurança. 



Outro destaque significativo é que acredita-se que deverá existir um consenso entre os educadores sobre melhores práticas para alcançar a Biossegurança em laboratórios e a variedade de práticas entre diferentes instituições, até porque a baixa incidência de infecções associadas quando do ensino nesses ambientes sugere que esses laboratórios são relativamente seguros.

Outro ponto imprescindível na Biossegurança é uso dos equipamentos de proteção individual (EPI), estabelecido pela NR 32, onde preconiza que todos os trabalhadores com possibilidade de exposição a agentes biológicos devem utilizar vestimenta de trabalho adequada e em condições de conforto. (CAMISASSA).

De fato acredita-se que um sistema de relatórios deverá ser estruturado como um banco de dados, sendo incluído não apenas incidentes consequenciais, mas também relatórios de quase acidentes, definidos como situações que exigiam uma resposta, mas já que não houve infecções ou maiores consequências, não foi dado muita importância.

Tendo em vista essa afirmação sabe-se que esses pequenos incidentes podem ser resultados de uma série de erros ou falhas comuns. Sabe-se que algumas instituições têm expressado relutância em compartilhar informações sobre incidentes de Biossegurança, devido ao temor de como essas informações podem ser compartilhadas por outras organizações e terminar por sair do controle e ninguém quer ser penalizado não é verdade? Portanto redobrar a atenção e fazer uso do equipamento de proteção, é estritamente necessário nesses ambientes.

Por outro lado podemos analisar um risco biológico estudando o processo que avalia múltiplos fatores para determinar o risco para os trabalhadores de laboratório, a comunidade ou o meio ambiente de trabalhar com um agente infeccioso, toxina ou outro risco biológico. A avaliação de risco biológico é usada para determinar o nível apropriado de Biossegurança para cada projeto conduzido dentro de um laboratório. (EMMERT).

Vale recordar que as Normas Regulamentadoras (NR) são medidas de Segurança do Trabalho determinadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) que têm como objetivo zelar pela segurança e medicina do trabalho no ambiente laboral. As equipes envolvidas direta e indiretamente têm que estar
treinadas! Todos precisam conhecer muito bem as suas funções, além de tudo o que precisa ser feito em caso de acidentes de trabalho. Isso vale não só para o Gestor da equipe de segurança como para todos os operadores e técnicos. (BARSANO E BARBOSA).

Não obstante os membros da equipe são responsáveis por sua própria saúde e segurança e devem tomar cuidado razoável para evitar afetar adversamente a saúde ou a segurança de qualquer outra pessoa por meio de qualquer ato ou omissão. As doenças infecciosas podem ser transmitidas por "perfuro cortantes", o termo coletivo usado para agulhas infectadas ou outros instrumentos cortantes que causam ferimentos.

Pensando desta forma a prevenção é a abordagem mais eficaz para o gerenciamento de riscos biológicos. Os futuros trabalhadores/pesquisadores devem ser educados sobre os riscos biológicos a que podem ser ocupacionalmente expostos, os tipos de exposições que colocam sua saúde em risco, a natureza e o significado de tais riscos, bem como os primeiros socorros ajuda e acompanhamento para possíveis exposições. Essa informação deve ser reforçada anualmente, no momento de qualquer mudança significativa na responsabilidade do trabalho, e exposições reconhecidas e suspeitas.

A importância desse raciocínio vem relembrar que em todo o mundo, os cientistas trabalham diariamente em laboratórios para encontrar curas para doenças, melhorar a saúde humana, animal e vegetal e entender melhor os agentes infecciosos e as toxinas. Como em todas as profissões, os trabalhadores de laboratório enfrentam riscos específicos em seu trabalho diário, que podem variar muito de projeto para projeto. Os pesquisadores aplicam os princípios de Biossegurança e os seguem com cuidado para garantir a segurança das pessoas dentro e fora do laboratório incluindo o meio ambiente.
Abaixo a tabela 1 com os riscos ocupacionais.


CLASSIFICAÇÃO DOS PRINCIPAIS RISCOS OCUPACIONAIS EM GRUPOS DE ACORDO COM A SUA NATUREZA E A PADRONIZAÇÃO DAS CORES CORRESPONDENTES


Barsano e Barbosa, 2014


Contribuiu com este Artigo:




Enf. Prof. Ms. Dra. Maria Lucia Moura
Especialista em Docencia do Ensino Superior;
Especialista em Gestão no Programa Saúde da Familia;
Especialista em Enfermagem do Trabalho.

REFERENCIAS

BARSANO PR, BARBOSA RP. Higiene e Segurança do Trabalho. Editora Érica. São Paulo, 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. Biossegurança em Saúde: Prioridades e Estratégias de Ação. Brasília, 2010.

CAMISASSA QM. Segurança e Saúde no Trabalho. Método. 4ª edição. 2018. Rio de Janeiro.
EMMERT, E. Biosafety Guidelines for Handling Microorganisms in the Teaching Laboratory: Development and Rationale. Journal of Microbiology & Biology Education, 14(1).USA, 2013.
MAYER G. Imunologia. Imunidade mediada por células: Interações célula-célula em respostas imunes específicas. Tradução: PhD. Myres Hopkins. 5ª edt USA, 2014.