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Uso de Esteroides Anabolizantes: benefícios ou malefícios


Esteróide anabolizante é qualquer droga quimicamente relacionada com a testosterona, um hormônio masculino que promove o crescimento muscular. Esteróides (classe de droga), anabolizantes (construtor de tecido) androgênicos (promove características masculinas). (SILVA,  DANIELSKI  e CZEPIELEWSKI).

De acordo com alertas de cardiologistas a substância costuma ser usada quando se quer ganhar massa muscular em pouco tempo, até porque é usado também sem orientação médica. Conforme informações do dia a dia, essa prática é adotada por pessoas que desejam adquirir massa muscular rápido. Além de causar problemas hormonais e infertilidade, os anabolizantes provocam doenças cardíacas. 

De acordo com Brasil, "No caso dos anabolizantes, o músculo cardíaco fica mais espesso, por isso a cavidade cardíaca diminui. Como consequência, o indivíduo desenvolve hipertensão. Como quem toma anabolizante não admite usar a droga, os especialistas têm um problema a mais nas mãos: não se sabe o tamanho exato do consumo. Estima-se que 5% de quem se exercita em academias usa anabolizantes. Essas pessoas só admitem usar a substância quando aparece um problema de saúde e têm de procurar um médico".
Sendo assim os esteróides são drogas que imitam certos hormônios naturais do organismo que regulam e controlam a forma como o corpo funciona e se desenvolve. Ha dois grupos principais de esteróides naturais que são os anabolizantes e os corticosteróides.

Nesse contexto os esteróides anabolizantes são semelhantes ao hormônio masculino (testosterona) podendo melhorar a resistência e desempenho, estimulando também o crescimento dos músculos. 

Dando continuidade, é possível que as pessoas que fazem uso dessas drogas, tenham a intenção de ter músculos visíveis e pensando também em melhorar a formas na pratica do esporte e a construção de massa muscular. O problema são os efeitos futuros ou imediatos que esses anabolizantes podem causar.

Com esse entendimento eles aceleram o crescimento pelo aumento da velocidade de maturação óssea e pelo desenvolvimento de massa muscular. Riscos consideráveis são associados ao uso dessas drogas. Os efeitos dos anabolizantes são dose-dependentes. Ou seja, quando o usuário pára de usar, a tendência é de que o corpo sofra redução de massa muscular. (BRASIL). 

Vale ressaltar que os efeitos sofridos no corpo por essa droga aumentam a massa isenta de gordura e a força. Entre os riscos do uso há atrofia testicular redução da contagem de espermatozóides, aumento das mamas e da próstata (nos homens), e redução mamária e alteração do ciclo menstrual (nas mulheres)

É necessário evidenciar que provoca lesões hepáticas e doenças cardiovasculares. A droga provoca aumento de massa corporal, diminuição de gordura e aumento da densidade óssea. As conseqüências mais comuns são acromegalia (aumento das extremidades do corpo). Os órgãos internos aumentam de volume. O usuário apresenta fraqueza nas articulações e problemas cardíacos. (BRASIL). 

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Diante disso, um aumento sustentado nos níveis de testosterona leva a taxas mais altas de aromatização da testosterona, (conversão do excesso de testosterona em estrógeno pela enzima aromatase) o que explica a ginecomastia tipicamente encontrada em usuários de esteróides. Os efeitos hepáticos estão mais frequentemente relacionados com agentes orais alquilados (reação orgânica, transferência molecular). 

Dando continuidade incluem a peliose hepática, espécie de tumor no fígado incomum, icterícia colestática uma coloração amarelada no plasma pelo acúmulo de pigmentos biliares e possíveis neoplasias hepáticas, como hiperplasia nodular focal, que estão intimamente relacionadas à dose e à duração do uso. (NERI et al).



Por outro lado, algumas drogas como Nandrolona, Dihidrotestosterona e outros, são drogas médicas, portanto lícitas, usadas por esportistas e também na formulação veterinária! Foram descobertas na pós-segunda guerra mundial, para recuperar as vítimas dos campos de concentração, gravemente desnutridas. (GHORAYEB). 

Ao saber os esteróides anabolizantes são drogas de classe C sendo vendidos por farmacêuticos, com prescrição de um médico. No Art. nº 53, da Porta ria nº 344 de 12 de maio de 1988, consideram o aviamento ou dispensação de Receitas de Controle Especial, contendo medicamentos a base de substâncias constantes das listas "C1" (outras substâncias sujeitas a controle especial) e "C5" (anabolizantes). (ANVISA)

Com essa percepção consta no Regulamento Técnico e suas atualizações, em qualquer forma farmacêutica ou apresentação, é privativa de farmácias ou drogarias e somente poderá ser efetuado mediante receita, sendo a "1ª via - Retida no estabelecimento farmacêutico" e a "2ª via - Devolvida ao Paciente", com o carimbo comprovando o atendimento.  (BRASIL).

Diante dessas considerações uma questão que muitas vezes é levantada com o uso de esteróides anabolizantes são os efeitos psicológicos e comportamentais, como agressividade, excitação e irritabilidade. Isto tem implicações potencialmente benéficas e prejudiciais. Elevações na excitação e auto-estima podem ser um efeito colateral positivo para o atleta. (HOFFMAN e RATAMESS).

Sendo assim torna-se perigoso demais fazer uso desses suplementos, pois suas implicações ainda não são bem conhecidas mas, pensa-se que, quando usados em altas doses, causam efeitos similares a outros andrógenos como a testosterona. Alguns estudos sugerem que essas drogas ajudam muito pouco ou nada no desempenho do atleta, muito embora a testosterona seja principalmente um hormônio masculino maduro, no corpo da mulher é produzido em menor quantidade. 

Dando continuidade é necessário o cuidado no uso dessas drogas pois o  uso abusivo pode fazer com que haja perda das características femininas. No homem ajuda na construção do sistema muscular, o desenvolvimento dos pêlos do corpo, o aprofundamento da voz.

Nesse sentido um aumento da agressividade é um benefício que os atletas participantes de um esporte de contato podem ter. No entanto, a agressividade em demasiado pode ocorrer fora da arena atlética, colocando assim riscos significativos para seus usuários e aqueles com quem entram em contato o que normalmente é associado a alterações de humor e aumento de episódios psicóticos. Estudos mostraram que quase 60% dos usuários de esteróides anabolizantes experimentam aumento na irritabilidade e agressividade. (HOFFMAN e RATAMESS).




Continuando, a explicação para o surgimento de agressividade a partir do uso de anabolizantes, alguns usuários elevam a testosterona e seus metabólitos, incluindo os transtornos de personalidade, pois apresentam altos níveis do hormônio no organismo. (CECCHETTO, MORAES e FARIAS).  

Visto sob essa ótica os usuários de esteróides anabolizantes quando da abstinência devido a tratamentos, tornam-se muito agressivos e violentos, apresentando depressão mental com comportamento suicida, alterações de humor e, em alguns casos, psicose aguda. Atualmente, não se sabe quais indivíduos estão particularmente em risco. (KUIPERS).

Ao contrário das drogas de abuso convencionais, os anabólicos androgênicos (AAS) podem induzir a dependência por meio de pelo menos três vias distintas - os mecanismos anabólico (processo construtivo onde moléculas simples se combinam para formar moléculas complexas), androgênico (substância que produz especificamente o crescimento das gônadas  masculinas)  e hedônico (processo que reduz o impacto afetivo de eventos emocionais) Estudos em humanos e animais na última década expandiram muito o nosso entendimento desses três mecanismos, sugerindo um modelo teórico para abordar o tratamento da dependência de AAS. Este modelo indica que os médicos devem ser particularmente sensíveis e preparados para tratar:

1) distúrbios subjacentes da imagem corporal, como dismorfia muscular;
2) hipogonadismo induzido por AAS e possível depressão consequente; e 
3) dependência “hedônica” de esteróides anabólicos androgênicos (EAAs), com possível dependência comórbida de drogas clássicas de abuso. (KANAYAMA et al)

É necessário evidenciar que o aspecto mais importante para evitar o abuso ou uso dessas drogas é cercar-se de informações a respeito, pois os efeitos colaterais podem ser tardios e altamente ofensivos podendo inclusive levar a óbito. Precisamos ter consciência, e entendimento que cada coisa tem seu tempo certo. Os atletas podem se destacar nos esportes ou ter um corpo saudável sem precisar fazer uso de drogas. Devem concentrar-se em dietas adequadas, treinos, descanso, boa saúde mental e física em geral. O esporte e a própria rotina da vida perde sua essência quando do uso de anabolizantes.


Contribuiu com este Artigo:





Enf. Prof. Ms. Dra. Maria Lucia Moura
Especialista em Docencia do Ensino Superior;
Especialista em Gestão no Programa Saúde da Familia;
Especialista em Enfermagem do Trabalho.


REFERENCIAS: 

BRASIL. Ministério dos Esportes. Cardiologistas alertam: uso de anabolizantes prejudica coração. Brasília, 2002. Disponível em: http://www.esporte.gov.br/ index. php/noticias/24-lista-noticias/42891-cardiologistas-alertam-uso-de-ana bolizantes-prejudica-coracao

BRASIL. Agencia Nacional de Vigilancia Sanitária. ANVISA. Portaria nº 344, de 12/05/1998. Aprova o Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamen tos sujeitos a controle especial. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br/ scripts web/anvisalegis/VisualizaDocumento.asp?ID= 939&Versao=2

BRASIL Ministerio da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. PORTARIA Nº 344, de 12/05/1998. Aprova o Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial.Disponível em: http://bvsms.saude. gov.br/bvs/saudelegis/svs/1998/prt0344_12_05_1998_rep.html

CECCHETTO F, MORAES RD, FARIAS SP. Distintos enfoques sobre esteróides anabolizantes: riscos à saúde e hipermasculinidade.Rev. Interface - Comunicação Saúde Educação Rio de Janeiro, 2011 Disponivel em: https://www.scielosp.org/article/icse/2012.v16n41/369-382/

GHORAYEB Nabil. Faculdade de Medicina da USP. Cardiologia e Medicina do Esporte. Anabolizantes, GH e outros são drogas. São Paulo, 2009. Disponível em: http://www.cardioesporte.com.br/artigos/anabolizantesGH.asp

HOFFMAN RJ, RATAMESS AN. Medical Issues Associated with Anabolic Steroid Use: Are They Exaggerated? Rev. J Sports Sci Med. 5(2):182-193.Jun, 2006. Disponivel em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3827559/

KUIPERS H. ANABOLIC STEROIDS: Side Effects. Encyclopedia of Sports Medicine and Science. Universidad de Maastricht. Limburgo, 1998.

KANAYAMA G, BROWER JK, WOOD IR, HUDSON IJ, HARRISON JPJ. TREATMENT OF ANABOLIC-ANDROGENIC STEROID DEPENDENCE: Emerging Evidence and Its Implications. US National Library of Medicine. USA, 2010. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2875348/

NERI M, BELLO S, BONSIGNORE A, CANTATORE S, RIEZZO I , TURILLAZZI E  FINESCHI  V. Anabolic androgenic steroids abuse and liver toxicity. Mini Rev   Med Chem. 2011 May;11(5):430-7.Disponivel em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov /pubmed/21443508

SILVA  PRP, DANIELSKI  R,  CZEPIELEWSKI AM. Esteróides anabolizantes no esporte. Rev Bras Med Esporte vol.8 no.6 Niterói Nov./Dec. 2002. Disponí vel em:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-8692200 2000 600005

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