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Omeprazol realmente pode causar câncer de estômago?


Omeprazol, pantoprazol e similares são parte de uma classe de drogas denominada inibidores de bomba de próton (IBPs). Esses medicamentos inibem a secreção de ácido pelo estômago, permitindo o tratamento de doenças como úlceras, refluxo gastroesofágico e infecções pela bactéria H. pylori. Atualmente, no Brasil, são comercializados seis medicamentos desse tipo: omeprazol, lansoprazol, pantoprazol, rabeprazol, esomeprazol e dexlansoprazol.

Os medicamentos IBP (inibidores de bomba de prótons) são comercializados desde os anos 80 e costumam ser receitados no tratamento de problemas como úlceras de estômago e duodeno, gastrites, doença do refluxo gastroesofágico, como prevenção de úlceras induzidas pelo uso de anti-inflamatórios ou AAS, no tratamento de esofagite eosinofílica e, junto com uso de antibióticos, no tratamento de erradicação do Helicobacter pylori

Estes medicamentos inibem o funcionamento da chamada bomba de prótons da célula parietal, um tipo de célula do estômago. Essa bomba é a responsável pela produção de ácido clorídrico no estômago. Além de diminuir a produção do ácido, os IBP podem também atuar como imunomoduladores, podendo agir em doenças imunomediadas, por exemplo, esofagite eosinofílica e mesmo na prevenção do câncer de esôfago.


Esse tipo de medicamento pode causar câncer de estômago?
Recentemente foram publicados trabalhos tentando mostrar a associação do uso desses remédios com surgimento de câncer gástrico. Estas pesquisas são passíveis de críticas, principalmente por serem retrospectivas e de incluírem no grupo pacientes com várias outras comorbidades que aumentam risco de câncer gástrico, como tabagismo e obesidade. De fato, o uso de IBP pode aumentar o risco de câncer em pacientes infectados pelo H. pylori, por isso, a recomendação é que seja feita a erradicação da bactéria em pacientes que vão usar IBP de forma contínua.

Se o paciente evoluir para deficiência de vitamina B12, com uso destes medicamentos os pacientes podem desenvolver demência. Essa vitamina uma vez ingerida, para ser absorvida precisa se ligar a uma substância chamada de fator intrínseco, que é secretada junto com o ácido clorídrico. Havendo diminuição da secreção de ácido, ocorre também menor liberação de fator intrínseco, que dificulta a absorção de vitamina B12. Em usuários crônicos de IBP, o índice de vitamina B12 no organismo deve ser acompanhado, se seus níveis diminuírem, a vitamina deve ser reposta. A deficiência de vitamina B12 pode a longo prazo, levar à demência. Caso seus níveis sejam monitorados, não há motivo para preocupação.

Estes medicamentos são seguros para serem usados a longo prazo, desde que bem indicados e desde que o paciente seja acompanhado por um especialista. A afirmação de que “remédio para gastrite, úlcera e refluxo dobra risco de câncer” implica uma relação de causa e efeito. Entretanto, os estudos encontraram apenas uma correlação, não permitindo identificar se o omeprazol (ou similares) foi realmente a causa do aumento do diagnóstico da doença. Outros fatores não avaliados, como o uso excessivo de bebidas alcoólicas, obesidade e consumo de cigarros podem ser responsáveis tanto pelo uso prolongado desses remédios quanto pela maior incidência de câncer.


Especialistas alertam para que se tome omeprazol apenas quando orientado pelo seu médico e que sejam feitos exames periódicos para acompanhamento. Caso seja receitado, pode tomar com tranquilidade, já que é um medicamento consagrado de uso de curto e médio prazo.

O principal problema é que, por não precisar de receita, as pessoas acabam usando o remédio sem controle, ao primeiro sinal de desconforto gástrico ou azia. Mas, como qualquer medicamento de uso crônico e prolongado, precisa ter o acompanhamento médico.

Comentários

  1. Gostei do esclarecimento, acredito que não só o omeprazol , mas todos os medicamentos precisam de um parecer médico

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