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Teste de zika passa a ter cobertura obrigatória por plano de saúde


A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) definiu a incorporação extraordinária de exames para detecção de vírus zika ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, lista que estabelece a cobertura obrigatória que os planos de saúde devem oferecer aos seus beneficiários. Os exames previstos são o PCR (Polymerase Chain Reaction) para detecção do vírus nos primeiros dias da doença; o teste sorológico IgM, que identifica anticorpos na corrente sanguínea; e o IgG para verificar se a pessoa já teve contato com zika em algum momento da vida.

Os exames deverão ser assegurados para gestantes, bebês filhos de mães com diagnóstico de infecção pelo vírus, bem como aos recém-nascidos com malformação congênita sugestivas de infecção pelo zika. Esses são os grupos considerados prioritários para detecção de zika devido à sua associação com o risco de microcefalia nas crianças, quando o cérebro delas não se desenvolve de maneira adequada.

EXAMES APROVADOS E SUAS RECOMENDAÇÕES:

- PCR: recomendado para gestantes sintomáticas (somente até cinco dias após o surgimento dos primeiros sinais da doença).

- IgM: recomendado para gestantes com ou sem sintomas da doença nas primeiras semanas de gestação (pré-natal) com repetição desse procedimento ao final do 2º trimestre da gravidez; e para bebês filhos de mães com diagnóstico de infecção pelo vírus Zika, bem como aos recém-nascidos com malformação congênita sugestivas de infecção pelo vírus.

- IgG: recomendado somente para infeção pelo vírus Zika para gestantes ou recém-nascidos que realizaram pesquisa de anticorpos IgM cujo resultado foi positivo.

O que é a infecção pelo Zika vírus?

É uma doença viral aguda, transmitida principalmente por mosquitos, tais como Aedes aegypti, caracterizada por exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia e dor de cabeça. Apresenta evolução benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente após 3-7 dias.

Como é transmitida?

O principal modo de transmissão descrito do vírus é por vetores (mosquito Aedes aegypti). No entanto, está descrito na literatura científica a ocorrência de transmissão ocupacional em laboratório de pesquisa, perinatal e sexual, além da possibilidade de transmissão transfusional.

Qual o prognóstico?

Vem sendo considerada uma doença benigna e autolimitada, com os sinais e sintomas durando, em geral, de 3 a 7 dias. Ainda não foram descritas formas crônicas da doença.

Como evitar e quais as medidas de prevenção e controle?

As medidas de prevenção e controle são semelhantes às da dengue e chikungunya. Não existem medidas de controle específicas direcionadas ao homem, uma vez que não se dispõe de nenhuma vacina ou drogas antivirais.

As orientações da OMS e do Ministério da Saúde do Brasil para a dengue fornecem informações sobre os principais métodos de controle de vetores e devem ser consultadas para estabelecer ou melhorar programas existentes. O programa deve ser gerenciado por profissionais experientes, como biólogos com conhecimento em controle vetorial, para garantir que ele use recomendações de pesticidas atuais e eficazes, incorpore novos e adequados métodos de controle de vetores segundo a situação epidemiológica e inclua testes de resistência dos mosquitos aos inseticidas.

Por que a ANS definiu as gestantes e bebês como o grupo prioritário neste momento?

O conhecimento sobre a infecção pelo vírus Zika ainda está sendo construído. Neste momento, sabe-se que a infecção pelo vírus Zika é geralmente benigna e assintomática. Ainda não há tratamento específico. Desta forma, para a população em geral a realização destes exames não altera a conduta clínica. 

Nas gestantes e bebês isso é um pouco diferente, uma vez que já foi comprovada a relação da infecção pelo vírus da Zika e a ocorrência de microcefalia e/ou outras alterações do sistema nervoso central. Nestes casos, um teste diagnóstico positivo para infecção pelo vírus Zika pode alterar a conduta clínica no acompanhamento de gestantes e bebês.

Se eu estou grávida o que meu plano irá cobrir? 

O acompanhamento pré-natal com o obstetra, exames como a ultrassonografia obstétrica, que pode auxiliar no diagnóstico de feto com microcefalia e/ou outras alterações do sistema nervoso central, bem como todos os exames pré-natais de rotina já são de cobertura obrigatória. Os exames laboratoriais para o diagnóstico da infecção pelo vírus Zika estarão cobertos a partir de julho. 

Se o bebê nascer com microcefalia o que meu plano irá cobrir?

As consultas com pediatra e acompanhamento de puericultura, exames para a confirmação da microcefalia e suas complicações. Ultrassonografia transfontanela, tomografia de crânio, exames de audição, neurológicos e de acuidade visual são de cobertura obrigatória pelos planos de saúde. Vários tratamentos para essas crianças também já possuem cobertura obrigatória, entre eles a estimulação precoce de fisioterapia, consultas com terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo, entre outros. Os exames laboratoriais para o diagnóstico da infecção pelo vírus Zika estarão cobertos a partir de julho.

Quais são as limitações dos testes disponíveis?

Como o conhecimento sobre a infecção está sendo constantemente atualizado e o desenvolvimento dos testes diagnósticos é recente, estes testes podem apresentar algumas limitações, como positividade devido à reação cruzada com outras infecções como a dengue, por exemplo. Por isso é importante que a gestante procure seu médico para orientá-la quanto à limitação dos testes diagnósticos atualmente disponíveis e o acompanhamento da gestação.

Fontes para consulta: ANS