Últimas Postagens

Importância da Enfermagem na Profilaxia de Trombose


A trombose venosa profunda (TVP) é um grave problema de saúde pública, seja pela grande ocorrência nos leitos hospitalares, por suas complicações ou ainda por ser capaz de atingir até pessoas hígidas.
O paciente com suspeita ou já diagnosticado com eventos tromboembólicos gera um elevado custo ao sistema de saúde, tendo em vista que são necessários vários procedimentos e exames por imagem, terapia com anticoagulantes injetáveis, a internação deste paciente provavelmente se prolongará e sem contar que mesmo após a alta hospitalar existe necessidade na continuação de uso de medicamentos e ainda há possibilidades de recidivas e possíveis complicações.

Localizadas logo abaixo da pele as veias safenas magnas, safena parva, cefálica, basílica e jugular, são classificadas como veias externas superficiais. Apresentando paredes afinadas, as veias profundas possuem menos músculo na túnica média, ao passo que as veias superficiais e profundas apresentam válvulas que proporcionam o fluxo unidirecional de volta ao coração. A partir dessa arquitetura é possível que as válvulas não entrem em contato com a parede da veia no momento de sua abertura, e favoreça o imediato fechamento no início de fluidez do sangue.

Caracterizada pela oclusão ao fluxo sanguíneo, a Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma afecção decorrente da constituição de um trombo em veias do sistema profundo. Tem maior acometimento nos membros inferiores, no entanto pode também desenvolver-se em outros locais como: veias jugulares, veia cava, seio cavernoso e nos membros superiores, sendo estes em menor proporção de ocorrência. 

A Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma doença caracterizada pela formação aguda de trombos que acometem as veias profundas com consequente reação inflamatória e por se tratar de uma doença multifatorial aumentam-se os fatores de risco durante seu tratamento.

A existência de um trombo venoso ocasiona alterações, sobretudo por três maneiras: quando ocorre obstrução venosa, inflamação de veias e tecidos e quando há desprendimento total ou parcial do trombo. Os trombos podem ser venosos ou arteriais. Os venosos são estimulados após o processo de coagulação, sendo produzidas primariamente por hemácias fixas em uma rede de fibrina, plaquetas e se formam em áreas de estase. Os arteriais são formados em áreas com lesão endotelial e fluidez de alta velocidade possuindo comparativamente pouca fibrina, comportando principalmente plaquetas.

É comum nos casos como a insuficiência cardíaca, choque, imobilidade, paralisia dos membros ou até mesmo em momentos de anestesia ocorrer estase venosa, pois o fluxo sanguíneo está reduzido. Já o aumento de coagulabilidade do sangue é comum acontecer em pessoas que usam anticoagulantes e o seu uso suspenso de forma súbita.
Para ocorrer lesão endotelial ou lesão da parede vascular, é preciso que o subendotélio seja exposto, sendo ativada a cascata de coagulação o que então possibilitará o desenvolvimento de trombos venosos.

Dentre as complicações dos anticoagulantes e antiagregantes plaquetários a hemorragia é a principal, podendo ocorrer em diversos órgãos do paciente.
Devido à continuidade do tempo em que o enfermeiro está em contato com paciente, gera-se um vínculo entre ambos e torna o profissional de enfermagem o grande articulador e elo entre o paciente e equipe multiprofissional, promovendo a qualidade de assistência com a detecção precoce de sinais e sintomas de complicações e/ou necessidades do indivíduo que encontra-se em estágio de saúde crítico.

Os sintomas mais comuns são caracterizados pelo edema e a dor no membro inferior sendo a queixa com mais prevalência e que em muitos casos se propaga para todo membro para se obter um diagnóstico mais preciso de um edema e a profundidade de seu problema deve-se fazer um exame físico que também irá diagnosticar outros sintomas tais como o eritema, a dilatação do sistema nervoso periférico, o aumento da temperatura assim como o empastamento muscular com dor à palpação. 



Os fatores de risco para desenvolvimento de trombose a se considerarem são: idade, imobilização, cirurgias, história anterior de TVP, câncer, trombofilia, varizes, obesidade, infecção, trauma, gravidez e puerpério, tempo de cirurgia, anestesia com duração maior que 30 minutos, anestesia geral, uso de estrógenos, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, paralisia, doença respiratória grave, doença inflamatória intestinal, infarto do miocárdio, insuficiência arterial, quimioterapia, síndrome nefrótica, cateteres centrais e Swan-Ganz. 
Estima-se que em apenas 50% dos casos o diagnóstico clínico é possível, com isso faz- se necessária a realização de exames complementares e vasculares específicos para confirmação do diagnóstico, tendo em vista que se a trombose não for diagnosticada, esta pode levar a embolia pulmonar fatal, neste caso compreende-se como uma doença evitável e tratável, quando identificada em prazo ágil.

Os pacientes de UTI já são classificados com alto grau de risco para TVP e quando não recebem a profilaxia para o tromboembolismo as chances aumentam em 25% a 31%. Essa taxa cai para metade quando instituída corretamente a profilaxia para TVP, diminuindo com isso o índice de morbimortalidade em pacientes críticos. Pacientes críticos tem no mínimo risco moderado para tromboembolismo venoso e que para estes, é primordial que se decida pelo tipo de heparina a ser administrada conforme avaliação de risco de sangramento. A heparina de baixo peso molecular (HBPM) demonstrou ser mais eficiente que a heparina não fracionada (HNF), tendo em vista que essa última tem maior ocorrência de plaquetopenia induzida por heparina, sem contar que a administração de HBPM é apenas uma vez ao dia.

O papel do enfermeiro frente a trombose venosa profunda é essencial seja no diagnostico, no tratamento com terapias anticoagulantes ou ainda nos cuidados aos pacientes prevenindo complicações e recidivas.

O paciente crítico deve ser alvo de atenção diferenciada pela equipe de enfermagem, não somente pelo alto risco, mas também em função da multiplicidade de variáveis que podem influenciar na decisão a respeito da profilaxia.

O Enfermeiro exerce um papel fundamental no que tange a melhor evolução clínica do paciente, com melhoras significativas. É essencial o reconhecimento dos primeiros sinais de sangramento decorrente do uso de anticoagulantes bem como o processo de reabilitação, com o estimulo ao movimento passivo e ativo no leito e à deambulação precoce. O processo de enfermagem é imprescindível para a boa qualidade na assistência, pois seu principal objetivo, além de alcançar um bom prognóstico, é também à prevenção da embolia pulmonar, principal complicação da TVP.

É imprescindível que o profissional de enfermagem esteja sempre inserido em treinamentos e capacitações, com o objetivo de acompanhar os avanços tecnológicos. A preocupação com as necessidades fisiológicas básicas do paciente também é indispensável. Além disso, cabe ao enfermeiro entender seu verdadeiro valor como cuidador, uma vez que o paciente internado na UTI está precisando mais do que nunca do enfermeiro como um ser que humaniza todo o processo. Não se pode descartar jamais a importância e necessidade de toda a tecnologia necessária na UTI, contudo é preciso lembrar que máquina nenhuma supre a sensibilidade humana.
Durante o uso de terapias anticoagulantes é necessário orientar o paciente quanto aos cuidados básicos como: cuidados com a pele, deambulação precoce caso não haja contraindicação, elevar membros inferiores. O profissional deve estar atento a qualquer tipo de sangramento, avaliar sinais anormais em curativos e drenos, monitorar sinais vitais, administrar medicação prescrita em horário correto, informar paciente sobre efeitos da droga. Além de orientações importantes não somente ao paciente, mas também, incluir alguém da família no processo de ensino.