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Tudo que você precisa saber sobre FEBRE AMARELA


Febre amarela é uma doença infecciosa grave, causada por vírus e transmitida por vetores. Geralmente, quem contrai este vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela.

O primeiro surto de Febre Amarela foi  no século XVII, a doença ficou "desaparecida" por 150 anos, quando fez um retorno em meados de 1850. Foi nessa época, com os estudos do médico Carlos Finlay, que se chegou à constatação de que havia um mosquito no ciclo de transmissão da doença. Mas o percurso não foi fácil até aqui.


A primeira tentativa de vacina foi feita com a Fundação Rockefeller nos anos 1920, no Equador. O bacteriologista japonês Hideyo Noguchi fez o imunizante com base no fato de que a doença fosse causada por uma bactéria. Os estudos não vingaram, entretanto.

Contudo no ano de 1937 uma mutação em uma das cepas possibilitou a produção de um vírus atenuado. Em testes no Brasil, estima-se que um milhão de pessoas foram vacinadas até 1939, sem complicações.

De acordo com o Ministério da Saúde, no período de 1980 a 2004, foram confirmados 662 casos de febre amarela silvestre, com ocorrência de 339 óbitos, representando uma taxa de letalidade de 51% no período.Com a chegada do Aedes Aegypti em áreas urbanas nos anos 1970, campanhas constantes de imunização e ações para conter a transmissão têm sido realizadas para que o período mais sombrio da febre amarela, com mais óbitos, não retorne.


Fonte : Produção da vacina contra febre amarela na primeira metade do século XX ; ovos são usados ainda hoje na fabricação de imunizantes (Foto: Acervo Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz).

O SURTO EM 2017/2018

Atualmente as filas, os casos e as mortes por febre amarela estão longe de ser um problema dos dias atuais. O Brasil convive há séculos com a doença: o primeiro caso do qual se tem conhecimento ocorreu em Pernambuco, no ano de 1685, com um surto de 10 anos.

Febre amarela é uma doença endêmica da região amazônica (ou seja, que circula naturalmente nesta região), ela já faz parte da rotina de vacinação. Com a ampla cobertura vacinal, a população do Norte está quase toda protegida e são poucos os casos da doença que atualmente acontecem por ali. Por isso,os 353 casos confirmados no país no ultimo ano, aconteceram no Sudeste (com exceção de um ocorrido no Distrito Federal). 

Entretanto no  Sudeste e no litoral do país, como a doença não é endêmica, a população estava pouco vacinada. Por isso, houve uma explosão de casos e a desesperada corrida a postos de saúde em busca da vacina. Em 2016, o ressurgimento do vírus nesta parte do Brasil causou o maior surto da doença das últimas décadas.

Segundo o coordenador da Fiocruz, ele destaca que os pesquisadores procuram entender o que poderia ter mudado este padrão de infestação e porque ele ganhou esta velocidade nos últimos dois anos. Existem pesquisas que estudam se o aquecimento global estaria mexendo com o habitat dos primatas. Outras falam sobre a ampliação da fronteira agrícola do país para áreas do Norte e Centro-oeste não cultivadas antes ou onde a criação de gado foi substituída pelo plantio de soja e milho, que usam agrotóxico. Isso causa uma movimentação gigantesca de um ecossistema que estava quieto por muitos anos e a natureza dá a resposta.

O Estado de São Paulo tenta conter uma onda de pânico instaurada na população diante do aumento do número de casos de febre amarela, o medo da doença levou a uma  corrida aos postos de saúde da capital, com longas filas, de dobrar o quarteirão, em busca de vacina de imunização. A procura desenfreada resultou também em desabastecimentos pontuais, episódios de tumulto e até em brigas com funcionários da saúde. 

Segundo o Ministério da Saúde, foram confirmados 130 casos de febre amarela no país entre julho de 2017 e 23 de janeiro deste ano, sendo 61 no Estado de São Paulo, onde foram confirmadas 21 óbitos pela doença. Em Minas Gerais o número de mortos pela doença chega a 24, no Rio de Janeiro são 7 e no Distrito Federal foi confirmado um óbito durante este período. Os dados são muito mais altos do que o país registrou nos últimos anos.





Fonte : https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/26/politica/1516966136_238551.html?rel=mas .Campanha de vacinação da febre amarela em Itaquera, em São Paulo. ROVENA ROSA AGÊNCIA BRASIL,2018.

Os casos registrados no Estado são de febre amarela silvestre e não da urbana, um tipo que não circula no país desde 1942 e é transmitido pelo mesmo vetor que a dengue, o Aedes Aegypti. A silvestre é transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes, que vivem em área de mata e preferem as copas das árvores, por isso costumam picar mais os macacos que os humanos. A doença não é transmitida de pessoa para pessoa nem de macacos para humanos.

Atualmente os afetados atualmente pela doença foram picados por mosquitos silvestres contaminados nas regiões de mata. Para que a transmissão urbana da febre amarela ocorra, é preciso que uma pessoa infectada na área de mata circule pelo meio urbano e seja picada por um Aedes. O mosquito, então, passaria a contaminar todos que não estejam imunizados. Segundo especialistas, apesar de haver risco desse contágio, ele só acontece se houver um grande número de infectados pela doença nas cidades.

Falta de informação e desconfiança

A desconfiança da população em relação ao que dizem as autoridades de saúde é em certo grau justificável. Em setembro do ano passado, por exemplo, o ministro da Saúde anunciou o fim da epidemia da febre amarela que atingiu o Brasil em 2017 - a maior com número de casos em humanos desde a década de 80. No mês seguinte, entretanto, apareceram macacos mortos em São Paulo pela doença e o número pessoas infectadas pela febre amarela continua crescendo.

O processo de evolução da doença é rápido e, por isso, é importante o diagnóstico precoce. Ainda que a enfermidade não tenha um remédio para tratá-la, os médicos ressaltam que quanto antes a doença é descoberta, mais chances o paciente tem de receber atendimento para tentar contornar as complicações geradas pelo vírus. 

CAUSAS DA FEBRE AMARELA

Ela pode ser transmitida em áreas silvestres e rurais por um mosquito contaminado por um vírus da família flavivirus, o qual tenha sido contaminado pela picada em um ser já portador como, por exemplo, certos tipos de macacos. Nas cidades, o vetor da febre amarela é o Aedes aegypti (o mesmo mosquito transmissor da dengue). Normalmente, a infecção humana ocorre quando uma pessoa não imunizada entra em áreas de cerrado ou de florestas. Ao retornar ela serve como fonte de infecção para o Aedes aegypti (principalmente) e o Aedes albopictus e pode fazer iniciar a transmissão urbana.

O mosquito contaminado pela picada em uma pessoa ou animal contaminado pica a pessoa que ainda não tenha as defesas vacinais para combater o vírus da febre amarela. Por ser virótica, pode ser transmitida também por outros tipos de insetos que se alimentam de sangue.

Embora não seja comum, pode ocorrer transmissão durante a gestação, através da placenta, da mãe para o feto. Embora não seja comum, pode ocorrer transmissão durante a gestação, através da placenta, da mãe para o feto, grande  parte dos casos de febre amarela no Brasil ocorre em regiões de cerrado, porém em todas as regiões (zonas rurais, regiões de cerrado, florestas) existem áreas endêmicas de transmissão da infecção.

SINAIS & SINTOMAS 

O período de incubação da febre amarela é de 3 a 7 dias após a picada. A viremia é a disseminação do vírus pelo sangue. Os sintomas iniciais são inespecíficos: febre (moderadamente elevada), cansaço, mal-estar, dores de cabeça e dores musculares. A doença estabelecida compreende dor abdominal; náuseas; vômitos e diarreia com sangue; prostração e diminuição do ritmo cardíaco. 

Os sintomas mais graves podem surgir depois, como diarreia de mau cheiro; convulsões e delírio; hemorragias internas e coagulação intravascular disseminada, com enfartes em vários órgãos. Pode haver hemorragias nasais; nas gengivas ou em orgãos internos e equimoses. As hemorragias podem ser tão intensas que chegam a causar choque hipovolêmico, por vezes mortal. Também pode ocorrer hepatite com degeneração aguda do fígado e com icterícia (cor amarelada da pele, da conjuntiva e da parte branca dos olhos, donde, talvez, venha o nome da doença). A insuficiência renal, embora possível, é rara, mas pode levar ao coma e à morte.

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Veridyana Márcia Silva Valverde
Enfermeira graduada pela Universidade Anhanguera de Taboão da Serra-SP,cursando  Especialização em  Urgência e Emergência em Enfermagem & Docência em Enfermagem, pela Faculdade Venda Nova Bandeirante (FAVENI), voluntária no Programa da Escola da Família Veija Júnior aos finais de semana na cidade de Iguape-SP, palestrante sobre diversos temas que envolve a saúde.| Linkedin






REFERÊNCIAS

OLIVEIRA.M & DIAS.G.Febre amarela é registrada no Brasil desde o século XVII; fotos, mostram luta contra a doença no passado. Por Gian Dias e Monique Oliveira, TV Globo e G1, São Paulo. 2018.Publicado em : < https://g1.globo.com/bemestar/noticia/febre-amarela-e-registrada-no-brasil-desde-o-seculo-xvii-fotos-mostram-luta-contra-a-doenca-no-passado.ghtml >. Acessado em 10.fev.2018.

MENDONÇA.H. Febre amarela, um desafio de saúde pública para grandes cidades, 2018.Publicado em : <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/26/politica/1516966136_238551.html?rel=mas . Acesso em 10.fev.2018.

ABC, MED.Saiba mais sobre a febre amarela.2013.Publicado em : <http://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/340369/saiba+mais+sobre+a+febre+amarela.htm >. Acesso em 10.fev.2018.