Faça como Milhares de Outras Pessoas, Cadastre-se e Receba Atualizações Diretamente em seu e-mail!

Cuidados aos pacientes com Gastrostomia


A Gastrostomia é uma intervenção cirúrgica que proporciona uma ligação direta entreo exterior e o estômago, desfazendo o trajeto natural da digestão, boca, faringe, esôfago e então estômago. O objetivo da Gastrostomia é justamente impedir que os alimentos fluam pela via normal em função de patologia ou disfunção anatômica, ou mesmo para que seja minimizado o risco de infecção após procedimentos cirúrgicos.

A alimentação por uma gastrostomia é semelhante a alimentação pelo cateter nasogastrico. Uma das principais diferenças é o local de entrada do cateter, que se faz pela parede abdominal. O alimento pode ser administrado por uma bomba infusora ou através de seringa (alimentação em bolus). O preparo e porcionamento da dieta terá que seguir rigorosamente a orientação dada pelo nutricionista ou nutrólogo.



A higiene é fundamental para minimizar a contaminação da dieta e consequentes complicações gastrointestinais. Antes do preparo da dieta, é necessário realizar a lavagem adequada das mãos, dos alimentos e de todo material que será utilizado, bem como dos utensílios e da bancada onde haverá a manipulação. Depois da lavagem, recomendamos friccionar álcool a 70% na bancada e utensílios.

Pacientes que são incapazes de ingerir por via oral, a quantidade adequada de nutrientes e têm o tubo gastrointestinal funcional são candidatos à alimentação por tubo (sonda).

As enterostomias (gastrostomia ou jejunostomia) devem ser usadas nos pacientes que requerem suporte nutricional maior tempo. A literatura sugere que com mais de seis semanas de uso de dieta enteral já seja benéfica a substituição de SNE pela enterostomia.

A gastrostomia deve ser usada nos pacientes com menor risco de aspiração e tem a vantagem de permitir alimentação em bolos enquanto a jejunostomia, cuja técnica cirúrgica é mais complexa só permite infusão contínua.

Elimina o incômodo permanente da sonda no nariz que dificulta a respiração, a fala, e pode causar lesões de pele ao ser fixada.

Melhora qualidade de vida do paciente acamado.

A gastrostomia permite o uso de dieta artesanal pela sonda, ou seja, o alimento pode ser caseiro, batido no liquidificador e coado em peneira fina. É, sem dúvida tão nutritivo quanto a dieta industrializada, com aspecto e odor melhores, o que aumenta o apetite do paciente.

Cuidados com a Gastrostomia

A ferida operatória deve ter aspecto saudável, limpo, seco e sem pruridos ou líquidos circundantes. As substâncias drenadas para a bolsa coletora incluem enzimas digestivas muito agressivas, inclusive para a pele. Essas secreções em contato direto com a pele podem ocasionar lesões com alto potencial infectante. O local NÃO pode ter febre (aquecimento ao redor da ferida), bem como a temperatura do paciente deve ser monitorada constantemente.

O curativo da Gastrostomia deve ser trocado a cada 2 ou 3 dias, ou conforme o aspecto do curativo. Sujidades, sangramento, prurido e exsudato (líquido purolento, seroso) fazem com que o curativo deva ser trocado para minimizar o risco de infecção da ferida.

Qualquer sangramento no local da ferida, ou mesmo disperso no material drenado (fezes) é sintoma de anormalidade. Comunicar imediatamente a equipe de cuidados se isso ocorrer.

A Equipe Enfermagem efetua os cuidados gerais com a Gastrostomia, curativos regulares, bem como a manutenção da medicação e da dieta prescrita. Além de treinamento para o cuidador do paciente, quanto ao procedimento de administração da dieta e terapia medicamentosa, como os cuidados gerais de enfermagem domiciliar pertinentes ao caso clínico ou patologia do Cliente.


CUIDADOS NA ALIMENTAÇÃO

  • Garanta que o paciente esteja com a cabeceira elevada. O tronco deverá estar elevado entre 30-40 graus por 1h após a alimentação); esta medida é importante para evitar refluxo gastro-esofágico;
  • Examine o tubo, procurando acotovelamentos ou bloqueios que impeçam o fluxo do líquido a ser infundido;
  • Feche o tubo com a pinça/grampo/”pregador”;
  • Abra a conexão do cateter de gastrostomia e conecte uma seringa de alimentação de 50mL ou 60mL contendo água;
  • Abra a pinça e deixe a água fluir pelo cateter de gastrostomia. Se houver dor, pare imediatamente e avise a enfermeira especialista ou o medico;
  • Feche a pinça e conecte o equipo da bomba ou a seringa ao cateter de gastrostomia;
  • No caso de administração por bomba infusora, ajuste a bomba e o tempo de infusão conforme as recomendações da nutricionista ou do médico; no caso de administração de dieta artesanal, conecte a seringa de 50 ou 60 mL;
  • Abra a pinça e inicie a alimentação; no caso de administração de dieta pela seringa, faça-o na vazão de 5mL a cada 30 segundos, repetindo esta operação até o esgotamento do volume da refeição;
  • Ao término da alimentação, desconecte o tubo e infunda 50mL de água, como no início do procedimento;
  • Feche o cateter de gastrostomia e deixe a pinça aberta.

  Cateter Gastrostomia

PEG - Gastrostomia Percutânea Endoscópica

ROTINA DE LIMPEZA DIÁRIA



  • Antes de limpar o estoma, lave as mãos com água e sabão. Seque-as bem. Não é necessário o uso de luvas estéreis;
  • Atente sempre para o número que aparece no tubo próximo ao local de saída. Esta graduação indica se o cateter está muito ou pouco introduzido e deve ser acompanhada sempre;
  • Limpe o estoma com sabão neutro e água morna usando uma gaze. Pode ser necessário um leve deslizamento do cogumelo externo de fixação a fim de melhorar a exposição do óstio para a limpeza de sujidades. Remova gentilmente qualquer debri ou crosta em torno do estoma e do dispositivo de fixação com água morna e gaze. A higienização do óstio da gastrostomia é realizada com sabonete neutro e água.
  • Seque o local cuidadosamente com panos macios ou gaze, sem fazer fricção;
  • O estoma normalmente não necessita de cobertura, mas se houver transudação excessiva ou vazamento, um absorvente seco pode ser necessário. Nesses casos, consulte o enfermeiro especialista;
  • Após limpeza, o dispositivo de fixação (cogumelo externo) deve ser recolocado em sua posição original, conforme a marcação próxima ao estoma. É importante que o fixador não esteja apertado junto à pele, sob o risco de lesioná-la.
  • Soluções irritantes como o álcool ou oleosas (p.ex.: hidratantes de pele) devem ser evitadas para minimizar a ocorrência de hiperemia (vermelhidão), descamação ou maceração periestomal;
  • A formação de granuloma (pele ou verrucosidade que ocasionalmente surge ao redor do óstio da gastrostomia), pode ser ocasionado pela umidade excessiva associada à fricção do cateter no óstio do estoma. Nesse caso, deve-se contactar o enfermeiro especialista (estomaterapeuta).
  • O desposicionamento ou tração do cateter de gastrostomia podem ser evitados realizando fixação do mesmo no abdome com uma fita hipoalergênica (micropore ou fita de silicone para pacientes com fragilidade capilar). Deve-se observar a marcação do anteparo externo do cateter de gastrostomia para que qualquer alteração seja percebida o quanto antes.
  • Se houver "desposicionamento" do cateter ou, até mesmo, saída total do mesmo, a administração da dieta deverá ser interrompida e o médico ou enfermeiro devidamente capacitado para tal será chamado para avaliar o reposicionamento do mesmo cateter ou de um cateter novo.
Fontes consultadas: Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral do RJ




 

 
Enfermagem a profissão do cuidar