Presenteísmo


O presenteísmo é uma terminologia mais recente, onde se caracteriza a impossibilidade de se produzir o que se deveria, devido a problemas de saúde e o trabalhador insiste em se fazer presente no seu posto de trabalho (FONSECA). 

Nesse contexto é notório a percepção por colegas até mesmo por seu empregador a falta de produção, ou mesmo uma produção escassa, já que não existe rendimentos, e o indivíduo encontra-se desmotivado demonstrando cansaço falta de interesse e irritabilidade, o que torna óbvio que a saúde do trabalhador e a motivação pode ter um impacto enorme na lucratividade da empresa.

É de conhecimento geral que o presenteísmo pode ocorrer por vários motivos como, doenças, motivação, pressão familiar, estresse sobrecarga de trabalho, e também por baixos salários. Os empregadores podem rastrear quantos dias de doença os funcionários recebem, mas considera-se quase que impossível rastrear o presenteísmo no local de trabalho.

Por outro lado, um erro que frequentemente acontece é o empregador supor que o absenteísmo vem sendo reduzido, já que visualiza os funcionários nos seus postos, quando na realidade, os custos do presenteísmo podem ser ainda maiores que o absenteísmo. 

Ressaltamos que estresse, prolongadas jornadas de trabalho, e por vezes o autoritarismo, esse presenteísmo não é diagnosticado, e somente uma pequena parcela busca auxílio, o que também pode ser resultante dos reajustes e reestruturações nas organizações. Decorrentes das altas taxas de desemprego, de reestruturação nos setores públicos e privados e redução do número de funcionários no setor público, houve instabilidade no emprego e aumento de contratos temporários, além de redução de custos e dos benefícios oferecidos pelas empresas. (SANDI).

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Continuando de acordo com Zeitoune e Farias, a relação saúde-doença-trabalho tem sido permeada por fatores que causam prejuízos a saúde física e mental dos trabalhadores, tais como: prolongadas jornadas de trabalho, relações interpessoais autoritárias no ambiente laboral, monotonia ou ritmo acelerado de trabalho pelas exigências de produtividade, automação devido a realização de ações repetitivas, com parcelamento de tarefas e remuneração baixa em relação a responsabilidade e complexidade dos serviços executados.

Então, presenteísmo é um fenômeno que atinge muitos trabalhadores assalariados que, mesmo estando adoecidos, não procuram seus direitos e benefícios relativos a afastamentos para tratamento de saúde, por medo de perderem o emprego quando do final de um afastamento, o que parece ser  identificado no Brasil, mas as análises detalhadas a respeito do assunto, só existem fora do país. (SELIGMANN). 

Visto sob essa ótica esses estudos possibilitaram, inicialmente, que se evidenciassem duas faces do trabalho: a tarefa trabalho prescrito e a atividade real, quando emerge a pergunta que não quer calar, será que os gestores sentem-se preparados para investir nos projetos e atividades educativas para seus negócios. 

Essa situação dificulta o diagnóstico do problema e traz prejuízos tanto para a empresa quanto para os colegas de trabalho que, muitas vezes, são “contaminados” por esta apatia, falta de produtividade e tomada de decisão. (JOHNS).


Conforme exposto o presenteísmo permanece e independente dos relacionamentos interpessoais, destacam-se as necessidades humanas básicas, influenciando nos comportamentos, e na eficiência do trabalhador. 
Shamansky declara que: 
"O presenteísmo limita a produtividade não só em quantidade, mas também em termos de qualidade do trabalho e que este pode ser medido pela diminuição no rendimento, falha em manter a produção padrão, erros e diminuição da atenção no trabalho, entre outros"
Por outro lado, o empregador, precisa constatar a presença de todos, muito embora nem ele mesmo possa precisar a eficácia na produção, pois não tem como medir, haja vista a importância e o benefício para uma empresa poderem identificar as medidas de boa relação e custo/benefício a serem adotadas para readquirir mesmo que seja em parte, a produtividade perdida por agravos à saúde dos trabalhadores. 

Visto sob essa ótica a importância das necessidades humanas varia conforme a cultura de cada indivíduo e de cada organização, daí que a qualidade de vida no trabalho não é determinada apenas pelas características individuais e nem pelas características organizacionais, mas sim pela interação sistêmica entre ambas. (CHIAVENATO).

Visto sob outro aspecto, é importante compreender que a qualidade de vida não circunscreve a satisfação de estar empregado, mas outros fundamentos são importantes como o físico, psicológico, nível de autonomia, relações pessoais, auto estima meio ambiente e a religião são elementos que compõem a percepção do indivíduo e de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive, em relação aos seus objetivos, e expectativas, até porque qualidade de vida confere duplo sentido coexistindo nos diferentes campos do saber. 

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Dando continuidade a teoria da motivação humana é baseada na hierarquia das necessidades humanas básicas, onde todo ser humano tem necessidades comuns motivando comportamentos, na tentativa de satisfazer essas necessidades e associá-las ordenadamente. Portanto o ser humano está sempre experimentando níveis de satisfação sucessivamente e essas teorias foram distribuídas em cinco níveis as necessidades básicas:
"Necessidades fisiológicas, segurança, auto realização, ego, e autoestima o social (MASLOW).

Por outro lado, Horta, afirma que certas necessidades humanas são mais básicas do que outras, ou seja, algumas necessidades devem ser aten didas antes de outras.

Vale lembrar que as empresas estão se envolvendo cada vez mais com programas de gestão em saúde e buscando estratégias para que seus colaboradores produzam mais e sinta-se melhor no ambiente de trabalho. É certo que a qualidade de vida no trabalho aguça a sensibilidade dos gestores no sentido de que deverá fazer uma relação com saúde e produtividade, se estão pensando eu aumento na produção corporativa.

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De acordo com o Ministério da Saúde o termo saúde do trabalhador refere-se a um campo do saber que visa compreender as relações entre o trabalho e o processo saúde/doença. Pensando sobre esse conceito podemos entender que o processo saúde doença é algo dinâmico e pode estar estruturado e articulado com os modos de desenvolvimento produtivo. Ribeiro, afirma que estamos interligados nesse processo e sem restrições, saúde, doença e trabalho, e por diversos motivos, essa ligação se dá, seja quando não trabalhamos muito, seja quando realizamos certo tipo de trabalho que não nos dá prazer ou quando somos obrigados a trabalhar. 


Sendo assim esse sentimento de obrigação de trabalhar, esteja somado ao conceito de trabalho prescrito quando se refere ao que se espera no âmbito de um processo de trabalho especifico, com suas singularidades locais, sendo vinculado de um lado a regras e objetivos fixados pela organização do trabalho e, de outro, ás condições que são oferecidas. 

Nesse contexto, contrapondo-se ao absenteísmo, o presenteísmo, designa a condição em que as pessoas comparecem ao ambiente laboral, porém realizam as atividades inerentes às suas funções de modo não produtivo, ou seja, não apresentam bom desempenho por problemas físicos e mentais relacionados ao trabalho. (LARANJEIRA). 

O presenteísmo relaciona problemas de saúde e perda de produtividade, consequência do trabalho excessivo e o sentimento de insegurança, resultado das novas relações de trabalho, caracterizadas pelas altas taxas de desemprego, reestruturação nos setores públicos e privados, diminuição no tamanho da organização, redução do número de trabalhadores, aumento do número de pessoas com contratos temporários e redução dos benefícios. (SANDÍ).

Reportando-nos ao trabalho emancipador e libertário, lembramos que um alto nível de estresse também decorre da necessidade dos trabalhadores estarem sempre preparados para produzir o que pede a demanda, uma vez que a produção é feita sob encomenda. Desta maneira devem adaptar-se imediatamente para a nova produção no decorrer do dia.
                        
Também é necessário que o trabalhador esteja disponível para incorporar à sua rotina de trabalho árdua e desgastante, muitas horas de trabalho, caso as sim for necessário para suprir a demanda. A flexibilização da mão de obra passa a ser outro requisito essencial para o trabalhador inserido no sistema toyotista. (FUTATA).

Nesse sentido sabe-se também que em algumas empresas existem pro gramas com atividades educativas, mas, na verdade para se evitar o presenteis mo, acredita-se que a solução seria a busca de parcerias, talvez de clinicas, com planos de saúde, que possa oferecer um tratamento com abordagem sindrômica, ou seja, descobrir o que angustia o trabalhador naquele momento, propiciando um vínculo de confiança, já que essas ações só vêm motivar o profissional a trabalhar mais prazerosamente.

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E finalmente os gestores das empresas, focados no desempenho e na imagem no mercado de trabalho, poderão ser despertados para o fato de que os trabalhadores devem ser considerados na sua integralidade, pois, ao contrário de máquinas, os seres humanos são providos da subjetividade, fundamental na capacidade de pensar, criar e trabalhar. (MAENO).

Nesse modo de entender a relação saúde-doença e trabalho, o trabalhador comparece como sujeito, ao lado de saberes acadêmico e de profissionais da saúde, na luta pela transformação dos processos de trabalho, “visando a resgatar o real ethos do trabalho: libertário e emancipador” (LACAZ).
Autores como Marziale e Silva, apontam que as percepções dos outros, incluindo a qualidade das relações no trabalho desempenham um papel importante na ocorrência de presenteísmo e absenteísmo. 

Enquanto modalidade de absenteísmo, o presenteísmo é muito pouco estudado, surge como um grave problema e vem sendo pesquisado em alguns países, tendo em vista as consequências que dele podem advir: os custos visíveis e invisíveis, o reflexo sobre a produtividade, e principalmente sobre a saúde do trabalhador (ARAUJO).

É de primordial importância esclarecer que o termo presenteísmo e estudos abordando este tema são recentes, por isso carece de dados quantitativos e até mesmo de um protocolo reconhecido internacionalmente que seja fidedigno e que cumpra a tarefa dessa mensuração. (TAVARES e KAMIMURA).

Conclusão:

É nessa realidade que se manifesta a o campo multifacetado das relações de trabalho, nas quais emergem a díade presenteísmo versus absenteísmo. O bom administrador reconhece que saúde e qualidade de vida no trabalho precisam caminhar juntas, pois se torna fator de motivação com sucesso garantido na economia da empresa. Por outro lado, a inaptidão para o trabalho pode causar prejuízos afetando a produção e o lucro da empresa. 

Diante dessa perspectiva, o ato de gerir atualmente determina novas tendências onde se lê “concorrência” a afirmação da permanência da empresa no mercado ou sua extinção, já que o processo propriamente dito em gestão de pessoas vem estimulando nas empresas e organizações mudanças de paradigmas na busca constante de creditação e excelência o que vem demonstrar como é importante e imprescindível o respeito e atenção aos seus trabalhadores, para uma qualidade de vida no trabalho.

Não se pretende ditar regras ou deveres, só explicitar uma frase simples que pode abrir mentes e corações. “Não basta saber ler que Eva viu a uva”. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho. (FREIRE). 

Contribuiu com este Artigo:





Enf. Prof. Ms. Dra. Maria Lucia Moura
Especialista em Docencia do Ensino Superior;
Especialista em Gestão no Programa Saúde da Familia;
Especialista em Enfermagem do Trabalho.

REFERENCIAS 

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